O CRENTE ESPIRITUAL

Cristo a nossa vida

"Porque já estais mortos, e a vossa vida está

escondida com Cristo em Deus. Quando

Cristo que é a vossa vida se manifestar,

então vós vos manifestareis com Ele em

glória" Colossenses 3.3-4.

Pudemos ver anteriormente, que Deus fez uma obra completa de libertação por nós em Cristo Jesus, e não precisamos mais andar como escravos do pecado, nem mesmo sermos derrotados pelo diabo, mas livres para crescermos em santidade. Este é o ponto que queremos atentar neste capítulo. Apesar de estarmos em Cristo, Deus agora tem para nós uma vida cada vez maior de santidade. Esta santidade é para igualar-se a Sua Santidade, pois, Ele diz: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” I Pedro 1.15-16. Aqui Deus fala de ser santo em todo o nosso procedimento, e é aqui que resume toda a nossa necessidade como novas criaturas.

 

No novo nascimento, Deus muda nosso coração e nosso espírito, e coloca dentro em nós o Seu Espírito, e então nos faz andar nos seus estatutos, nas suas ordenanças e as observar (Ezequiel 36.26-27). Em Cristo, tudo se faz novo, e a partir da regeneração, passamos a andar em novidade de vida (II Coríntios 5.17; Romanos 6.4). Estamos livres do pecado, e apesar de sermos crianças em Cristo, estamos guardados por Deus, e podemos caminhar para a perfeição. A perfeição é o estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4.13). Para Deus não existe aperfeiçoamento no pecado. O pecador precisa ser feito santo pelo lavar da regeneração (Tito 3.5), para depois ser santificado.

 

Santificação é um santo ficar cada vez mais santo: “Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda” Apocalipse 22.11. O Santo é Jesus, e ficar cada vez mais santo é estar liberto por Ele do pecado, e ser transformado na Sua Imagem, pelo próprio Espírito de Cristo: “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” II Coríntios 3.7-8.

 

Quando Jesus fala em porfiar por entrar pela porta estreita; porque grande é a porta e largo é o caminho que conduz a perdição (Lucas 13.24), Ele está falando da nossa morte e ressurreição no seu corpo, pois, Ele é a porta (João 10.9). Depois de entrar por esta porta estreita que é Ele, há também um caminho estreito. Aqui Ele trata de um processo de santificação, sendo que o próprio caminho é Jesus: “e os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele (em Jesus); quando vos desviardes para a direita ou para a esquerda” Isaías 30.21. “E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele (tem que nascer de novo, senão não poderá passar por ele), mas será para os remidos (estes são aqueles que foram libertos do pecado e da sua escravidão). Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele (em Jesus) não errarão” Isaías 35.8. “Eu sou o caminho” João 14.6. "Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará. Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?" Lucas 9.23-25.

 

O único meio para esta vida de santidade é Jesus ser a sua vida. Quando Ele se manifesta, você se manifesta com Ele em glória (Colossenses 3.4): “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” I Coríntios 1.30. Por isso, a Palavra nos chama a atenção para a Sua Presença em nós. Quando há comunhão com a Sua Pessoa, isto nos torna perfeitos. Foi isto que Deus disse a Abraão em Gênesis 17.1: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e eu te farei  perfeito” Gênesis 17.1. É a operação da cruz sobre aquele que nasceu de novo, que leva-o a experimentar cada vez mais a santificação pela vida de Cristo: “trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos” II Coríntios 4.10.

 

Quando não conhecemos a Cristo como nossa vida, o nosso padrão de vida é a lei. Não faças isto, não toques naquilo, e faças isto. A lei é neste caso, um referencial do que é certo, ou do que é errado fazer. Em Cristo, não andamos mais pela lei, nem pelo que é certo ou errado, mas pela direção da vida de Cristo. Mesmo que conseguíssemos andar pela lei, isto não agradaria a Deus, porque Jesus diz: “Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” Mateus 5.20. Jesus nos mostra por esta passagem, que quanto à lei, os fariseus eram zelosos. Grande parte deles fazia o que era certo, mas mesmo assim estavam reprovados.

 

A vida de justiça que agrada a Deus deve exceder em muito o fazer o certo e deixar de fazer o errado. O que agrada a Deus é quando Jesus manifesta a sua vida em nós: “Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em nós o que perante ele é agradável, por meio de Jesus Cristo” Hebreus 13.20-21. Deus não pode aceitar as obras de justiça dos homens, muito menos se alguém o faz para a salvação ou santificação. Essas obras têm de vir por Jesus Cristo em nós.

 

A lei foi dada por causa dos transgressores, sendo um disciplinador até que a promessa, que era Jesus, viesse (Gálatas 3.19-24). A vida de Cristo em nós, leva-nos a uma vida celestial, não somente obedecer aos seus mandamentos, que passam a não ser penosos (I João 5.3), mas a viver em amor, excedendo toda a lei e todos os profetas: “que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus” Efésios 3.17-19.

 

A partir da regeneração, a comunhão com esta Pessoa de Jesus, passa a ser tão gloriosa, que cada dia em que vivemos aprendemos que a nossa vitória em todas as coisas, está na suficiência desta Pessoa de Jesus que habita em nós. A partir da experiência do apóstolo Paulo com esta vida, ele entendeu que toda a sua religiosidade, que antes era para ele um lucro, não passava de esterco. Não só a sua religiosidade, mas todas as coisas ele jogou fora, ficando com um só desejo: a excelência do conhecimento de Cristo Jesus nossa vida.

 

Ele disse: “Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” Filipenses 3.7-8. Isto foi o que Jesus nos ensina quando disse para Marta: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” Lucas 10.41-42. Maria escolheu ficar aos pés de Jesus e ouvir a Sua Palavra, isto nunca será tirado de alguém.

 

Uma vida consagrada a Deus, não é aquela que diz trabalhar para Jesus, nem aquela que procura agradar a Deus através de boas obras, nem aquele que aumenta os seus jejuns, orações e vigílias, mas aquele que crê: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gálatas 2.20. Não foi somente Paulo que foi crucificado com Cristo, mas todos (II Coríntios 5.14).

 

A pessoa que crê e confessa esta vida crucificada encontra a morte para o mundo: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” Gálatas 6.14. Encontra a morte para a lei: “Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus” Romanos 7.4. Encontra a morte para o pecado: “levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” I Pedro 2.24.

 

É pela fé na nossa morte com Ele, que experimentamos a nova vida da ressurreição, podendo agora, com Cristo vivendo em nós, termos uma vida consagrada a Deus: “agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis” Colossenses 1.22. Não é na cruz, mas é na Pessoa de Jesus crucificado e ressuscitado, onde fomos mortos e ressuscitados juntamente com Ele que temos a vitória.

 

Em João 15, Jesus compara esta experiência com a videira, quando diz: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” João 15.5. Ele é a videira, nós somos as varas. O tronco não precisa ser limpo, nem cortado, mas as varas é que precisam. Se alguém está em Cristo, ele já está limpo pela Palavra que lhe foi falada (João 15.3). A promessa é que Deus agora nos limpa ainda mais, para darmos muito mais fruto.

 

Deus é o viticultor, isto é, aquele que cuida da videira e das varas. Como nas varas de uma videira, corre a mesma vida da videira, da mesma maneira a vida de Cristo flui naqueles que nasceram de novo, produzindo o Seu fruto: “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” Gálatas 5.22-24. Este bom fruto só é possível dar se estivermos na árvore boa.

 

Aquele que está em Cristo, é uma nova criatura, é um novo homem, as coisas velhas já passaram, não existem mais, tudo agora é novo. Tudo o que diz respeito ao velho homem, não existe mais, está morto, deve ser despojado. Eis que tudo, absolutamente tudo se fez novo (II Coríntios 5.17). A velha criatura é o espelho de Adão, a nova criatura é o espelho de Cristo. Tudo o que é de Adão, ficou em Jesus naquela cruz. Ele foi o último Adão (I Coríntios 15.45). Agora tudo o que passamos a experimentar e conhecer pela nova vida são de Cristo, do novo homem (Efésios 2.15): “pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” Colossenses 3.9-10.

 

Todo aquele que nasceu do Espírito, anda assim, e não haverá mais condenação. Isto é o que a Palavra de Deus chama de andar no Espírito e não mais na carne: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” Romanos 8.1-2. Jesus é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Se Jesus é a sua vida, você já goza a libertação do pecado, e a cada dia está sendo transformado por Ele na Sua Imagem: “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” II Coríntios 3.17-18.

 

Você está dizendo amém ao que Deus está lhe mostrando pela Sua Palavra? Caso contrário diga: Senhor tem misericórdia de mim pecador. Não deixe que meu coração enganoso me leve à perdição eterna. Saiba que Deus resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde. Se esta não tem sido a sua fé e experiência, você não possui nada. Se Jesus não é a tua vida, tudo o que Deus fez desde o princípio da criação do mundo, o que Deus está fazendo, e ainda o que Deus tem preparado para os seus, você não será participante. Você não poderá gozar, pois, tudo Ele nos deu em Jesus: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo” Efésios 1.3-5.

 

Jesus é que estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e para Ele. Sem Ele, nada do foi feito se fez (João 1.2-3). Se Cristo não é a sua vida, então ainda você permanece na morte: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” I João 5.12. “Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” I João 5.20.

 

Você ainda poderá dizer: - Como poderei saber que Jesus é a minha vida? É muito simples. Se o pecado te domina, você ainda é um carnal, e só conhece a Jesus de ouvir falar: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?” Romanos 6.1-2. “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado” I João 1.4-6. Jó também era um crente carnal, e só conhecia Deus de ouvir falar. Mas ele recebeu esta graça, e pôde ver o Senhor, e conhecer a libertação que Ele proporciona (Jó 42.1-6).

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