C H A R I S Uncategorized O Crente Carnal e o Crente Espiritual

O Crente Carnal e o Crente Espiritual

LIVRO: O CRENTE CARNAL E O CRENTE ESPIRITUAL

PREFÁCIO

NOTA DO AUTOR: Antes de você iniciar a leitura deste livro é necessário eu te dar alguns dados. Este livro foi escrito no princípio da minha vida cristã, no ano de 1988; apenas dois anos após a minha conversão. Não que haja heresia nele, mas nesta época ainda não tinha uma revelação sobre o Reino. Então a minha visão ainda era ‘vendo homens como árvores’ (Marcos 8.24), ou de salvação e perdição. Mas, mais alguns anos, cerca de 3 anos após ter escrito este livro, o Senhor abriu os meus olhos para ver que existem 3 descansos na Palavra de Deus, como nos ensina Hebreus 3. O descanso da salvação (Figura do sétimo dia), o descanso da Vida do Senhor em nós agora (Figura de Canaã), e o repouso sabático que é o Reino milenar de Cristo.

O Senhor também abriu os meus olhos para ver mais claramente a salvação tripartida do homem, isto é, no espírito, na alma e no corpo. Então escrevi outro artigo intitulado “O REINO DE DEUS E O REINO DOS CÉUS”, que está na seção “ESTUDOS BÍBLICOS” deste site. É verdade que muitos autodenominados evangélicos nunca chegaram ao pleno conhecimento da verdade. Que tem nome de que vivem, mas estão mortos. Mas muitos não podem ser enquadrados na falta de uma vida real, não da perda da salvação, mas do reino milenar de Cristo. Não estão enquadrados entre os que praticam a iniquidade (Mateus 7.21-23), mas entre as virgens insensatas (Mateus 25.1-13).

Portanto, ainda não tenho uma ideia clara do Senhor se devo revisar este livro e fazer as alterações, ou se deixo com o propósito de mostrar a maneira como o Senhor vai trabalhando conosco na revelação do Seu Filho Jesus e da Sua Palavra, para que sirva de testificação aos que passam pelo mesmo caminho. Primeiro a erva, depois a espiga e depois a espiga cheia de grãos. Assim é o reino de Deus (Marcos 4.26-29).

Pode ser que mais para a frente o Senhor nos faça revisar este material e colocar os versículos de forma clara no propósito do Reino, mas por enquanto temos o propósito de deixar para servir de crescimento de revelação na vida de outro cristão. Que primeiro o Senhor nos faz ver o seu evangelho da graça e depois o evangelho do Reino. Que o Espírito Santo, o ensinador e nosso consolador te ajude na revelação clara da Sua Palavra. Em Cristo. Edward Burke Junior.

Faz algum tempo, Deus vem me fazendo enxergar a grande maioria dos evangélicos, que estão dentro das autodenominadas igrejas; tendo zelo por Deus, mas sem entendimento (Romanos 10.2).

O conhecimento e a experiência que tenho tido com a Palavra da cruz, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (I Coríntios 1.18), tem me levado a não julgar este povo, mas saber que muitos estão sendo destruídos, porque falta-lhes o conhecimento (Oséias 4.6).

A finalidade deste pequeno livro, é trazer ao leitor o conhecimento de uma salvação plena realizada por Deus em Cristo Jesus, e por esta instrumentalidade, Deus por Sua graça leve muitas pessoas a olhar para Jesus. Desde já, confesso a dependência total do Espírito de Deus, tanto para a condução, a confecção, a circulação e a revelação da Palavra de Deus aqui contida, pois muitas são as maravilhas que o Senhor tem operado, e os seus pensamentos para conosco.

Ninguém há que se possa comparar a Ele, bem que eu gostaria de anunciá-los e manifestá-los, mas são muito mais do que se possa contar (Salmos 40.5). Só o Espírito de Deus conhece as profundezas de Deus, e ninguém as compreendeu senão pelo Espírito de Deus. Só por este Espírito alguém poderá compreender as coisas que foram dadas gratuitamente por Deus (I Coríntios 2.10-12).

Como poderei então falar a um cego, que olhe para o seu salvador? Como farei que um coração de pedra seja amolecido, e seja convencido do pecado? Como falarei a um morto para que ande de maneira justa, e obedeça a voz do seu Pastor? Como farei alguém cujos ouvidos estão tapados e surdos desde a madre, ouvir a voz do seu Deus? Como farei alguém desejar uma obra em sua vida, se sua vontade está presa ao diabo, e todo o seu querer esteja em satisfazer a vontade da carne e dos pensamentos? Como farei que alguém esteja firmado nas promessas de Deus, tendo a certeza de coisas que se esperam, e convicção de fatos que se não vêem? Impossível a mim e a qualquer homem, mas a Deus tudo é possível.

                        Você leitor, está diante de Deus, diante do Único que pode abrir os olhos de um cego de nascença, pois somente na Sua luz é que você poderá ver a luz. Àquele que pode abrir os olhos do vosso entendimento. O Único que pode abrir este seu coração de pedra como fez com Lídia, para que você atente para o que estamos lhe dizendo (Atos 16.14). Deus é o Único que pode lhe dar coração, para que você o conheça (Jeremias 14.7), o Único que pode dizer a você como disse Jesus a Lázaro: “Vem para fora” (João 11.43). Ele é o Único que pode dizer ao Espírito: “Vem e assopra sobre este morto para que viva” (Ezequiel 37.9), o Único que pode abrir os seus ouvidos para que ouça a Sua voz e diga: “Fez-me o Senhor ouvir e ouvi” (Jeremias 11.18).

Deus é o Único que pode dar-te arrependimento para que você conheça plenamente a verdade, para que te liberte dos laços do diabo, em quem a sua vontade está presa, e te converta das trevas à luz, e do poder de Satanás a Deus. Dar-lhe a remissão de pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé nEle (II Timóteo 2.25-26 e Atos 26.18). Ele é o Único que pode pelo Seu Espírito, dar-lhe o dom da fé (I Coríntios 12.9 e Efésios 2.8), firmá-lo, e fazer contigo um pacto eterno de nunca se desviar de fazer-lhe o bem, colocar o Seu temor no seu coração, para que você nunca se aparte dEle, e selar-te com o Espírito Santo da promessa (Ezequiel 36.26 e Efésios 1.13). Porque creio que ninguém pode receber coisa alguma, se do alto não lhe for dado (João 3.27): “Toda boa dádiva e todo dom perfeito, vem do alto, do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” Tiago 1.17, e porque todo que do Pai ouviu e aprendeu vai a Jesus (João 6.45).

                        Leitor, a matéria deste livro, não tem a finalidade de trazer discussão, nem controvérsias. A minha proposta é não estender muito o assunto, mas ser direto na única revelação das Escrituras Sagrada que leva alguém a uma verdadeira salvação. Para Deus, não é sim e não, mas sim, sim, não, não; o que passa disso é de procedência maligna (Mateus 5.37).

Se o que você encontrar escrito, julgar a tua vida, não o faço de mim mesmo, mas da parte do Senhor, pois Ele já te colocou neste julgamento que diz: “Quem crê nele não é julgado, mas quem não crê, já está condenado” João 3.18. Jesus, a Palavra, Deus e o Espírito, estão todos concordes num só para a salvação. Eles não te julgam, mas já tem quem te julgue: a Palavra que Ele te tem dito, essa te julgará no último dia (João 12.48). Sei que para muitos essa palavra é loucura, mas para mim, e para os que são salvos é o poder de Deus.

                        Sendo assim, caso você não só deseje ler este livro como um outro qualquer, mas sim estudá-lo com direção divina, pediria que fosse nobre e lesse todos os textos das Escrituras nele indicados, os que estão entre parênteses.

                        Agora, pois encomendo-te a Deus, e à Palavra da Sua Graça. Àquele que é poderoso para te edificar, julgar a tua causa, e executar o Seu direito. Tirar-te para a Luz, e fazer-te ver a Sua justiça. Sou apenas um embaixador da parte de Deus, como se Deus por nós vos exortasse. Rogo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus (II Coríntios 5.20).

O INCRÉDULO E O CRENTE

1- O incrédulo e a sua situação:

“Diz o néscio no seu coração:

Não há Deus” Salmo 14.1

                        A própria palavra “incrédulo”, já define esta categoria de pessoas: Aqueles que não crêem. O incrédulo é definido por Deus, como podemos notar no versículo acima, como néscio ou louco. Louco porque só alguém que não possui as faculdades mentais perfeitas pode negligenciar que os atributos invisíveis de Deus, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, porque são percebidas mediante as coisas criadas. Ser incrédulo é uma loucura, mas mesmo assim eles são inescusáveis, indesculpáveis (Romanos 1.18-20).

                        Jesus para mostrar esta classe de pessoas, contou-nos uma parábola dizendo: “O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” (Lucas 12.16-20 e Mateus 16.26).

                        A incredulidade é uma característica encontrada em maior grau no homem, porque mesmo Satanás e seus anjos, a Palavra de Deus nos ensina que apesar de serem malignos, crêem que Deus é um só e ainda tremem (Tiago 2.19). Com exceção do homem, todo o restante da criação louva ao Senhor (Salmo 148), e obedece-lhe (Salmos 119.91). Deus nos diz ainda, que o boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono, mas o homem não tem conhecimento nem entendimento do seu Deus (Isaías 1.3). Isto nos mostra claramente, que o incrédulo, além de ser chamado de louco, tornou-se muito “pior” que o boi ou o jumento que conhece o seu dono.

                        Se você quer permanecer como um incrédulo, não adianta gastar muito meu tempo, apenas vou continuar orando por você, e esperando que um dia você venha a crer, porque aos que insistem em permanecer incrédulos, Deus diz: “Qual será a tua esperança quando Eu o cortar, quando Eu lhe arrebatar a alma? O que você fará quando Eu te esmagar para sempre? Arrebatá-lo e arrancá-lo da tua habitação e desarraigar-te da terra dos viventes? O que pode suceder-te amanhã. Que é a tua vida? É um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. É semelhante a um sopro; os seus dias são como a sombra que passa”. Aos incrédulos, Deus ainda diz que a parte que lhes cabem, é o lago que arde com fogo e enxofre: “Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte” Apocalipse 21.8.

                        Caso você ainda queira continuar na sua insensatez e loucura, Deus ainda te chama a ouvir a Sua instrução. Não a despreze, pois ainda há uma esperança para ti, pois Deus te diz: “Até quando, ó estúpidos, amareis a estupidez? e até quando se deleitarão no escárnio os escarnecedores, e odiarão os insensatos o conhecimento? Convertei-vos pela minha repreensão; eis que derramarei sobre vós o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes desprezastes todo o meu conselho, e não fizestes caso da minha repreensão; também eu me rirei no dia da vossa calamidade; zombarei, quando sobrevier o vosso terror, quando o terror vos sobrevier como tempestade, e a vossa calamidade passar como redemoinho, e quando vos sobrevierem aperto e angústia. Então a mim clamarão, mas eu não responderei; diligentemente me buscarão, mas não me acharão. Porquanto aborreceram o conhecimento, e não preferiram o temor do Senhor; não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão; portanto comerão do fruto do seu caminho e se fartarão dos seus próprios conselhos. Porque o desvio dos néscios os matará, e a prosperidade dos loucos os destruirá. Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, e estará tranqüilo, sem receio do mal” Provérbios 1.22-33

2 – A definição de crente

“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus;

porque é necessário que aquele que se

aproxima de Deus creia que Ele existe, e que

é galardoador dos que o buscam” Hebreus 11.6.

                        Em nossos dias, crente é um termo usado pela maioria das pessoas, para definir os participantes de uma igreja evangélica ou protestante. Principalmente aqueles que adotam externamente, através de seus usos e costumes, diferenciar-se dos restantes. Mas qualquer pessoa, de qualquer denominação, seja ela Católica, Batista, Presbiteriana, Metodista, Assembleiana, Renovada, e etc…, que crê que Deus é um só, que Ele existe e que realiza e proporciona dádivas àqueles que o buscam; como também crê em Jesus Cristo como sendo o Filho de Deus, e o Salvador do homem, bem como sendo a Bíblia a Palavra de Deus, é crente. Portanto, crente é todo aquele que crê. Todo aquele que não professa esta crença, independente de religião, é considerado um incrédulo.

                        Já vimos no capítulo anterior, que o incrédulo é considerado por Deus um louco, porque só se pode entender a criação do mundo pela fé, porque os mundos foram criados pela Palavra de Deus, de modo que o que é visível, não foi criado daquilo que se vê (Hebreus 11.3). Por isso, as pessoas que se envolvem com a falsamente chamada ciência, desviam-se desta fé (I Timóteo 6.20-21), porque buscam explicações aonde só a fé responde. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores, o adorem em espírito e em verdade (João 4.24). A fé representa estar seguro no que não se vê (vendo o invisível), e esperando, certos de recebermos aquilo que aguardamos (Hebreus 11.1), não baseados em nossas convicções pessoais, mas no que Deus disse.

                        Nós podemos encontrar vários tipos de fé na Bíblia. A primeira delas é a fé que o homem possui: a fé humana. Mesmo na perversidade, o homem traz esta característica ainda que deturpada. Ela pode ser mais conhecida como a fé das crendices. Na maioria das vezes, ela é usada para crer em muitas outras coisas e deuses, além do Único Deus, pois o mesmo Deus nos diz: “O carpinteiro estende a régua sobre um pau, e com lápis esboça um deus; dá-lhe forma com o cepilho; torna a esboçá-lo com o compasso; finalmente dá-lhe forma à semelhança dum homem, segundo a beleza dum homem, para habitar numa casa. Um homem corta para si cedros, ou toma um cipreste, ou um carvalho; assim escolhe dentre as árvores do bosque; planta uma faia, e a chuva a faz crescer. Então ela serve ao homem para queimar: da madeira toma uma parte e com isso se aquenta; acende um fogo e assa o pão; também faz um deus e se prostra diante dele; fabrica uma imagem de escultura, e se ajoelha diante dela. Ele queima a metade no fogo, e com isso prepara a carne para comer; faz um assado, e dele se farta; também se aquenta, e diz: Ah! já me aquentei, já vi o fogo. Então do resto faz para si um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, prostra-se, e lhe dirige a sua súplica dizendo: Livra-me porquanto tu és o meu deus. Nada sabem, nem entendem; porque se lhe untaram os olhos, para que não vejam, e o coração, para que não entendam. E nenhum deles reflete; e não têm conhecimento nem entendimento para dizer: Metade queimei no fogo, e assei pão sobre as suas brasas; fiz um assado e dele comi; e faria eu do resto uma abominação? ajoelhar-me-ei ao que saiu duma árvore? Apascenta-se de cinza. O seu coração enganado o desviou, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita?  Isaías 44.13-20.

                        A fé humana faz o homem sentir-se vivo e soberano. Ele faz para si um deus morto, para ter domínio sobre ele, sendo que na verdade, esta fé é perversa a Deus. Como Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, o homem cria um ser, à sua imagem e semelhança, e torna-se escravo da sua própria criação.

                        A fé humana não é visível somente no campo da idolatria, mas em todo homem ou mulher, inclusive naqueles que participam de uma igreja evangélica. Mesmo nestes, esta fé apresenta-se de maneira adversa a Deus. Jesus falando acerca dos falsos crentes, mostrou-nos que a fé humana tem feito muitos prodígios no Seu Nome. Esses crentes que só conhecem esta fé humana, que hoje estão enchendo as igrejas com as suas presunções e fazendo prosélitos, ficarão envergonhados quando disserem: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? em teu nome não fizemos muitos milagres?”.

Ficarão envergonhados porque Jesus lhes dirá claramente: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” Mateus 7.22-23. Jesus dirá que não os conhece, porque fizeram tudo aquilo com a fé humana, e esta fé também é considerada por Ele como iniquidade. Havia neles a iniquidade, porque diziam que conheciam a Deus, mas andavam em contendas, invejas, inimizades, e atrás do lucro.

Em muitas outras passagens das Escrituras, podemos ver que esta fé humana era aparente em muitas das autoridades daquela época, quando nos diz: “Contudo, muitas das autoridades creram nele; mas por causa dos fariseus não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus” João 12.43. Esta fé humana está sempre pronta a manifestar-se quando Deus fala, mas ela não dá poder ao homem de permanecer firme, e não retroceder.

                        No deserto, o povo de Israel professou esta fé quando disse: “Tudo quanto Ele nos disser; assim o ouviremos e o cumpriremos”. Mas Deus que conhece esta fé humana, não aceitou a aparência dela e disse: “Ouvi as palavras deste povo; falaram bem em tudo quanto disseram. Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem em todo o tempo os meus mandamentos” Deuteronômio 5.27-29. Jesus também não confia nesta fé, porque ele bem sabe o que é a natureza humana e a fé que procede dela: “Mas o próprio Jesus não confiava a eles, porque os conhecia a todos, e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que é a natureza humana” João 2.24-25.

                        A outra fé que podemos encontrar na Bíblia, é a fé demoníaca, a fé que os demônios possuem. Esta fé é maior que a fé humana, pois a Palavra diz que eles crêem que Deus é um só, e tremem por causa disto (Tiago 2.19). Esta fé faz com que os demônios tremam diante da Soberania e do poder de Deus. Encontramos um exemplo claro desta fé no caso de Jó, pois Satanás foi na presença de Deus porque o reconhece como tal, e foi em sua conversa com Deus, que recebeu de Deus o consentimento de tocar em Jó. Depois, tudo o que foi feito por Satanás a Jó, só foi feito porque Deus assim o determinou (Jó 2.6).

                        Quando a Palavra de Deus nos relata o caso da disputa de Satanás com o arcanjo Miguel, acerca do corpo de Moisés, vemos que a fé que os demônios têm em Deus, fez com que ele atendesse a uma simples palavra: “O Senhor te repreenda” (Judas 9). A fé demoníaca leva-os a reconhecer também a Jesus como o Filho de Deus Altíssimo. Esta fé fez também com que os demônios orassem a Jesus, para que lhes fossem concedido entrar numa manada de porcos que se encontrava nas proximidades, e que não enviassem-lhes para o abismo, quando disseram: “Rogaram-lhe, pois, os demônios, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles” Marcos 5.7-12.

Esta fé que os demônios possuem, também faz com que eles reconheçam a autoridade dos filhos de Deus, outorgadas por Jesus em seu nome. Quando os apóstolos Paulo e Silas estiveram em Filipos, um demônio reconhecia através de uma jovem adivinhadora, que eles eram servos do Deus Altíssimo, e que eles anunciavam o caminho da salvação (Atos 16.16-17). Já em Éfeso, os demônios reconheceram Paulo e a Jesus, mas como a fé demoníaca é superior a fé humana, dois dos judeus ambulantes que tentaram expulsá-los, foram pelos demônios assaltados, espancados e tornados nu. Consequentemente tiveram que fugir daquela casa (Atos 19.13-16).

                        A fé demoníaca também faz com que eles creiam nas Escrituras como sendo a Palavra de Deus, pois ela foi usada por Satanás para tentar Jesus quando disse: “Então o Diabo o levou a Jerusalém e o colocou sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, que te guardem; e eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra” Lucas 4.9-11. Esta passagem, o diabo tirou das Escrituras que se encontra no Salmo 91, versos 11 e 12.

Já a fé humana, mostra-se incapaz até de crer nas Escrituras, porque no caminho de Emaús, Jesus ao encontrar-se com dois de seus discípulos, após a sua ressurreição, ainda que tivessem estado com Ele num período de aproximadamente três anos apresentando-lhes as Escrituras, mostraram-se néscios e tardos de coração para crer no que os profetas disseram a seu respeito (Lucas 24.25).

                        O outro tipo de fé que encontramos nas Escrituras, é a fé encontrada nos apóstolos e nos discípulos de Jesus. Esta é uma fé que eles possuíam porque viam os sinais que eram feitos. Esta fé veio por causa da autoridade que lhes foi dada por Jesus para expulsarem demônios e curar enfermos (Lucas 9.1). Jesus certa vez, viu que esta fé proveniente dos sinais que se faziam, fez até Satanás descer como um raio do céu (Lucas 10.18).

Esta fé dos apóstolos fez com que eles seguissem a Jesus e não o abandonassem como fizeram os outros discípulos que não a possuíam (João 6.67-68). Esta mesma fé após terem pescado a noite inteira, e não apanhado nada, fez eles lançarem as redes sobre a Palavra de Jesus, e tiveram uma grande pesca. Esta mesma fé fez Pedro confessar a Jesus como sendo o Cristo, o Filho do Deus vivo, pois, a tinha recebido por revelação de Deus (Mateus 16.16-17). Por esta fé, Filipe reconheceu que Jesus era aquele de quem Moisés e os profetas falaram pelas Escrituras (João 1.45). Esta fé também fez Pedro andar sobre as águas por algum tempo (Mateus 14.29-30).

                        Mesmo esta fé, que para muitos parece ser uma grande fé, não é a fé pela qual torna alguém aprovado por Deus, pois, a fé que os apóstolos possuíam por ver os sinais que Jesus fazia, mostrou-se muito aquém da fé que agrada a Deus. Podemos constatar isto quando Pedro andou sobre as águas por algum tempo. Sentindo ele o vento, e vendo o mar agitado sobre os seus pés, logo afundou.

Muitas vezes podemos notar esta fé entre os discípulos de Jesus. Uma delas foi quando Jesus ressuscitou dentre os mortos, e encontrou todos eles dispersos e em dúvida sobre a Sua Pessoa: “E ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por Maria Madalena, não o creram. Depois disso manifestou-se sob outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo, os quais foram anunciá-lo aos outros; mas nem a estes deram crédito. Por último, então, apareceu aos onze, estando eles reclinados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem dado crédito aos que o tinham visto já ressurgido” Marcos 16.11-14.

                        O último tipo de fé que nos mostra Deus em Sua Palavra é a Fé operosa. Esta Fé, nem os homens, nem os demônios a possuem, mas somente àqueles que a receberam de Deus, em forma de dom pela Pessoa do Senhor Jesus Cristo, porque somente Ele é o autor e consumador desta Fé (Efésios 2.8; Hebreus 12.2).

Esta é a única Fé que pode agradar a Deus (Hebreus 11.6). A única que faz com que o homem fique firme nas coisas que se esperam, tendo a certeza das coisas que não se vêem. Esta é a única Fé que poderá fazer o homem não retroceder, não se desviar, nem cair (Hebreus 11.1). Somente por esta Fé alguém pode ser justificado (Romanos 5.1), receber remissão de pecados (Atos 10.43), ser salvo (Atos 16.31), ter a Vida Eterna (João 3.15-16), ter descanso (Hebreus 4.3), ser edificado (I Timóteo 1.4), ser santificado (João 17.17), e ser feito Filho de Deus (João 1.12).

Só com esta Fé que vem por Jesus, podemos ter acesso a Deus em esperança (Romanos 5.2), ficarmos firme contra as astutas ciladas do diabo e seus dardos inflamados (Efésios 6.16), sermos obedientes (Romanos 1.5), e não desviarmos, mas manter-nos em segurança, firmeza, confiança, descanso, convicção, esperança, e tudo o que agrada a Deus.

Esta fé não pode ser corrompida, não muda em grau, nem pode ser extinta, porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Romanos 11.29). Somente por esta Fé, que é um dom de Deus, e que vem por pela Pessoa de Jesus, é que podemos vencer o mundo (I João 5.4), vivermos em justiça (Romanos 1.17), e chegar a unidade, pois quem a possui, possui uma só Fé (Efésios 4.5).

Esta é a única fé que quem a possui, mostra-a pelas suas obras (Tiago 2.22), e mesmo estando na carne, vive por ela, crendo no Filho de Deus que habita nele, e que o amou, e a si mesmo se entregou por ele (Gálatas 2.20). Esta é a fé que é do Filho de Deus em nós.

                        Somente com esta Fé, e que a Palavra de Deus mostra-nos que é um dom de Deus, é que alguém poderá ter um bom testemunho. Por esta mesma Fé, os antigos deram um bom testemunho, e é por ela que Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício que Caim. Tão maravilhosa é esta Fé, que ainda depois morto falava. Por ela Enoque foi transladado para não ver a morte (Gênesis 5.24). Também Noé, sendo divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, pois até aquele dia nunca chovera sobre a terra, preparou uma arca para a salvação de sua família, e por esta Fé condenou o mundo e tornou-se por ela herdeiro da justiça (Gênesis 6.13-22).

Abraão também por esta Fé, sendo chamado, obedeceu; saindo para um lugar que havia de receber por herança. Mesmo não a conhecendo, peregrinou, como em terra alheia habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa, porque esperavam a cidade que tem os fundamentos, da qual o Arquiteto e Edificador é Deus. Ainda por esta Fé, Abraão sem se enfraquecer, em esperança, creu contra a esperança, para que se tornasse pai de muitas nações. Depois sendo provado, ofereceu Isaque, seu unigênito, aquele que recebera as promessas de Deus, porque julgou que Deus era poderoso para até o ressuscitar dos mortos (Gênesis 22.1-10).

                        Pela única e verdadeira Fé, Moisés foi escondido, e já sendo homem, recusou o reino do Egito, preferindo ser maltratado com o povo de Deus, do que ter por algum tempo o gozo do pecado. Deixou o Egito, não temendo a ira do rei, porque ficou firme, como quem vê Aquele que é invisível (Êxodo 10.28-29).

Por esta mesma Fé, Raabe não pereceu com os desobedientes da cidade de Jericó (Josué 6.23). “E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas; os quais por meio da fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados” Hebreus 11.32-37.

                        Diante de tantos testemunhos, podemos constatar que somente por esta Fé, que é um dom do Espírito de Cristo em nosso interior (I Coríntios 12.9), é que podemos crer com o coração e confessar com a boca para sermos salvos. Arrepender-se verdadeiramente e buscar a Deus de todo o seu coração, e ter nojo de si mesmo. Somente por esta Fé verdadeira é que podemos ser convertidos ao Senhor no íntimo da nossa alma, receber dEle a bem-aventurança do perdão de toda iniquidade, como também receber o novo nascimento, ser transformado em nova criatura, apta para herdar o Reino de Deus.

Esta é a única Fé que poderá fazer-nos ter um bom testemunho, entender a Palavra de Deus, oferecer o nosso corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como também oferecer os nossos membros para a justiça e não ao pecado. Somente através desta Fé é que podemos agradar a Deus, e perseverar até o fim. É esta Fé e somente ela que nos faz obedecer e esperar com paciência a promessa, confessar a morte para o mundo, e viver para Deus. Ser aprovado nas provações. Abençoar, bendizer e orar a Deus pelos nossos inimigos, pelos que nos maltratam e nos perseguem. É esta Fé que nos faz recusar a glória humana, e preferir ser maltratado com o povo de Deus, do que ter por algum tempo o gozo do pecado. Também deixar pai, e mãe, mulher e filhos por amor dEle, como também renunciar a tudo quanto possuímos.

É somente por esta Fé que podemos deixar a sociedade com o ímpio, a sedução das riquezas, e os deleites da vida, e buscar a santificação no Senhor. Somente por ela é que não seremos condenados com o mundo, mas termos a garantia do sucesso, pois Jesus disse: “Não te disse se creres, verás a Glória de Deus?” João 11.40. É somente por este dom inefável de Deus, que vem pela Pessoa do Senhor Jesus Cristo no nosso interior pelo novo nascimento, é que podemos ter todas estas coisas e dizer: “Tudo é possível ao que crê ” Marcos 9.23, como também: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” Filipenses 4.13, e também que: “Em todas as coisas, somos mais do que vencedores por aquele que nos amou” Romanos 8.37. Somente esta Fé permanecerá conosco para a vida eterna: “Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor” I Coríntios 13.12-13.

O CRENTE CARNAL

1- A legitimidade do crente carnal:

“Pois quando estávamos na carne, as paixões

dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em

nosso membros para darem frutos para a

morte” Romanos 7.5.

                        Na Palavra de Deus, não achamos o termo “crente carnal”, mas sim “carnais”. Crente carnal é uma terminologia usada pela maioria das igrejas evangélicas, portanto, quando for usada esta terminologia, será feita com a finalidade de que o leitor tenha um maior entendimento com o que está sendo apresentado.

                        Os carnais, também podem autodenominar-se crentes. Como vimos no capítulo anterior, há quatro tipos de fé. A grande maioria dos que se autodenominam crentes, não duvidam que Deus é um só, e que Jesus é o salvador do mundo, sendo ele mesmo o Filho de Deus, como também que a Escritura é a Palavra de Deus. Podem ser pastores, líderes, e como pudemos ver em Mateus 7, versos 23 e 24, estão profetizando, curando, expulsando demônios e fazendo maravilhas no nome de Jesus, mas veremos nos capítulos seguintes, porque Jesus disse-lhes que não os conhecia.

                        O carnal enquanto não nascer de novo será sempre um carnal, porque o que é nascido da carne é carne como disse Jesus (João 3.6), e vive e anda na carne, podendo ser um crente ou um incrédulo. Ninguém estando na carne pode ter uma vida espiritual, mesmo que se denomine um crente. Para Deus ele é pior que o incrédulo, porque o seu estado se torna pior que o primeiro, uma vez que conheceu a verdade e não nasceu do Espírito para ser uma nova criatura e ser espiritual. Mesmo sendo membro de alguma igreja e batizado nas águas, se não nascer de novo, não passa de uma porca lavada, porque sempre que tiver oportunidade, irá revolver-se no lamaçal, ou como o cão que volta ao seu vômito (II Pedro 2.21).

                        Com os carnais incrédulos, já dispensamos uma parte no início deste livro. Toda a nossa exposição adiante, estará sendo dirigida aos carnais que se dizem crente. O testemunho a seguir, é o testemunho de Deus. É a maneira como Deus vê, e não como o homem vê. Se aceitarmos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Seja todo homem mentiroso, e Deus verdadeiro. Diante da verdade da Palavra de Deus, seja o teu pensamento, ou o que você aprendeu, ou ouviu, ou pensa, como mentiroso. Fazendo assim, você será justificado em suas palavras, e vencerá quando fores julgado (Romanos 3.4). Do contrário, você será achado mentiroso, e será como muitos, declarado um desconhecido do Senhor, vivendo na iniquidade.

2- Como vive e anda um

crente carnal:

“Porquanto ainda sois carnais; pois,

havendo entre vós inveja e contendas,

não sois porventura carnais, e não estais

andando segundo os homens?” I Coríntios 3.3.

                        Na visão de Deus, e inspirada pelo Espírito Santo nas Escrituras, este tipo de crente, anda em inveja, ciúmes e contendas. O nome carnal, já identifica qual a situação deste crente diante de Deus, isto é: aquele que anda na carne, mesmo dizendo-se um crente. O apóstolo Paulo, testemunha na Palavra de Deus, da sua situação quando vivia neste tipo de vida: “Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte” Romanos 7.5.

Paulo aprovava a lei de Deus, e considerava-a espiritual; mas sendo carnal, estava vendido sobre o pecado. Nesta situação, ele não conseguia fazer o bem que queria, mas o mal que não queria isto é o que fazia, pois ele disse: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim” Romanos 7.14-17. Nesta passagem o apóstolo Paulo mostra claramente qual a situação de um crente carnal. Todo crente carnal não consegue fazer o bem que quer, mas somente o mal que não quer, por causa do pecado que habita nele.

Verdadeiramente esta também não tem sido a sua situação? Jesus nos disse que “pelos seus frutos os conhecereis”. Não existe ninguém que esteja na carne, e esta carne não se manifeste pelas suas obras. O apóstolo Paulo sobre isto diz: “Eu faço o que não quero”. Em outro lugar, ele também afirma: “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus” Gálatas 5.19-21.

O apóstolo Paulo, ainda nos fala que estando alguém na carne, este processo torna-se uma lei nele: “Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros” Romanos 7.21-23. Lei é tudo aquilo que se repete e nunca muda, portanto, esta condição se torna lei na vida do crente carnal, porque sempre ele quer fazer o bem, mas durante toda a sua vida, encontra esta lei impedindo-o de fazer o bem que quer, mas o mal que não quer, esse acaba sempre fazendo. Os que são carnais inclinam-se sempre para as coisas da carne (Romanos 8.5). Isso é natural, é da natureza humana, e nenhum esforço ou prática religiosa pode mudar isto diante de Deus.

                        Como as obras da carne são manifestas, os crentes carnais, tanto homens como mulheres, jovens e adolescentes, tem muitos problemas com a prostituição, impureza e lascívia. A prostituição é o ato de unir um corpo que pertence ao Senhor, a uma meretriz. Quem faz isto, torna-se um só corpo com ela, e este é o único pecado que o homem comete contra o seu próprio corpo (I Coríntios 6.16-18). Grande parte dos crentes carnais, não comete a prostituição ou o adultério em si, mas possui um desejo desenfreado, incontrolável, que os fazem cobiçar as moças da igreja, até mesmo uma esposa formosa de algum irmão. Tem prazer em pornografias encontrada com facilidade nas revistas, vídeos cassete e televisão.

Muitos tentam reprimir esses desejos por meio de jejuns, orações, vigílias, subida em montes, bem como a severidade para com o corpo; mas esta lei do pecado e da morte sempre os leva a prática do pecado que está nos seus membros. Conseguem às vezes eliminar muitas coisas, tais como: o cigarro, a bebida, os bailes e etc…; mas não conseguem se livrar deste desejo carnal e desta sensualidade. Juntamente com a sensualidade, a impureza está diretamente ligada, produzindo as intenções imorais internas. Os pensamentos maus e impuros estão sempre assolando a mente dos crentes carnais.

Os que possuem algum temor, muitas vezes buscam no momento em que aparecem essas intenções, pensarem em alguma outra coisa, clamar pelo sangue de Jesus, invocar o seu nome ou coisa parecida. Até chegam a pedir a Deus que limpe as suas mentes, mas até em sonhos essas intenções os assolam. Levando-os muitas vezes a ceder às paixões da carne, pensando com isto estarem livres de cometerem o ato em si, mas acabam vendo que a mesma lei continua guerreando contra a lei do seu entendimento. Neste caso, sempre a lei do pecado mostra-se superior à sua vontade de obedecer a Deus, e em seguida vem o remorso, e a dor na consciência.

                        Não é somente esta sensualidade que assola os crentes carnais, mas as divisões e as contendas também são comuns, tanto nas igrejas, como nos lares desses crentes. Sempre estão tomando partido por algum grupo ou pastor contra outro grupo da mesma igreja. As assembléias são impraticáveis, nunca se consegue unanimidade e consenso. Criam inimizades de uns contra os outros, trazendo com isto a mágoa e o ressentimento. O ciúme por cargos de destaque na igreja, bem como dos trabalhos especiais são comuns entre estes crentes. Do ciúme nasce a inveja, isto é, o desejo de adquirir algo que não lhes pertencem, tornando-os hostis, agressivos, passando então a usar de artimanhas para tentar derrubar o rival. O ódio, o desejo de vingança, e a aversão a outras pessoas, assim como a maledicência e a infâmia, também se tornam um sentimento e uma prática comum entre estes crentes.

                        É muito comum também nos crentes carnais o pecado da vanglória. A vanglória é um desejo muito grande pela exaltação do seu ego. Alguns querem ser reconhecidos pela quantidade de dinheiro que oferecem à igreja através dos seus dízimos. Outros, por causa da sua superioridade nos estudos ou cargos públicos. O prazer pela bajulação, o ser consultado, o estar em evidência a outras igrejas, são as principais características dos carnais. Tais ministros desprezam as igrejas menores e fazem de tudo para irem para as igrejas maiores, em busca de maiores salários e aquilo que elas oferecem como benefício próprio. Esses ministros mostram claramente, que não se preocupam com o rebanho, mas com a sua condição de vida, indo atrás do lucro. Para estes, os membros da igreja não passam de trampolim para a sua tão desejada fama. Não estamos com isto dizendo que todos os ministros, sem exceção são carnais, mas se estas são as características de algum ministro, esse tal é um carnal.

                        Os grupos também são muito comuns entres os crentes carnais. Os ricos possuem o seu próprio grupo e não se misturam com os pobres; e se o ministro é um carnal, ele dará muito mais atenção a esta classe mais abastada, deixando assim de atender os mais pobres, por não trazerem a ele nenhum benefício.

Em suma, o crente carnal está sempre envolvido nessas práticas, aprovando a vontade de Deus, mas vendo nos seus membros a imoralidade sexual, a fornicação, os pensamentos impuros, o desejo pela pornografia, os gracejos indecentes, as conversas tolas, a hostilidade, a rivalidade, a discórdia, a maledicência, o desejo de vingança, o ódio, as divisões, a inveja, e tudo o que satisfaça a carne, tais como: comida, viagens, dinheiro, fama, prestígio e etc…, ainda que seja um líder ou mesmo um ministro da Palavra.

                        O crente carnal possui uma grande estima própria. Julga sempre que os outros não estão no mesmo grau de espiritualidade que eles. Consideram-se capazes de ensinar a outros, prometendo-lhes até liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção e participantes dos mesmos erros. São ágeis em esconder os seus pecados, em camuflar os seus desejos, mas estão sempre prontos a condenar os erros dos outros.

                        É natural para o crente carnal apontar para o pecado dos outros. Fala de quase tudo o que é aparente nos outros, com uma linguagem até bastante severa. As exortações e as pregações são em alto tom, como se o exemplo se dá pelo que se diz e não pelo testemunho do seu viver. O crente carnal quando contrariado fala dos outros, buscando com isso justificar sua vida aparente. Acham que o discurso pode encobrir seus pecados. Quando bajulado, exalta as pessoas e as colocam na mais alta estima. O crente carnal deseja ardentemente mostrar sua diferença espiritual para dominar os outros.

                        Eu aprendi uma coisa durante esses anos de vida cristã que pode ser colocado como um referencial para uma avaliação. Alguém que muito fala contra certo pecado nos outros é o seu pecado mais sério. Um ministro que muito prega contra a cobiça, revela o seu pecado mais encoberto: “Ainda que eu fosse justo, a minha própria boca me condenaria; ainda que eu fosse perfeito, então ela me declararia perverso” Jó 9.20.

                        Não precisamos usar exemplos para tornar verídica a Palavra de Deus, pois a própria Palavra é viva e eficaz (Hebreus 4.12). Mas conta alguém que um pastor falava aos membros de sua igreja, do perdão, da compreensão, do amor, em ter os filhos em toda a sujeição e bem disciplinados. As esposas deveriam ser submissas aos seus maridos, como os maridos deveriam tratar as suas esposas com amor, considerando-as como um vaso mais frágil. Nunca procurar o seu próprio proveito, mas sim o que é do outro. Na semana seguinte, após uma viagem que o pastor tinha feito, chegando no horário do culto de domingo a noite, ao entrar para pregar, encontrou ao lado do púlpito toda a mobília de sua casa. Assustado, perguntou o que tinha acontecido, e sua esposa levantando-se do banco e disse-lhe: – “Eu quero viver com o homem que prega neste púlpito como meu marido, porque o que vai para casa depois do culto, não é o mesmo”. Talvez você ache graça neste exemplo, mas esta é a situação da maioria dos ministros das igrejas. Se eles são assim, que diremos então de todos esses rebanhos que estão espalhados por ai?

No que diz respeito a sua vida espiritual, todo o testemunho de experiência do crente carnal com Deus se baseia em suas emoções. Para ele a vida cristã está baseada em emoções. O crente carnal é uma alma vivente, e está sempre cheio de testemunhos de experiências pessoais, mas isso não passa de emoções religiosas. Quando inquirido sobre sua fé e esperança, sempre fala de suas experiências tais como: visões, arrebatamentos, revelações, tremedeiras e etc… Choram, caem, riem, pulam, mas nem sabem em que tropeçam (Provérbios 4.18-19).

Outros exibem seus troféus divinos por terem alcançado alguma graça, cura, bênçãos e prosperidade, mas nunca por fé na obra de justiça que Deus realizou em Cristo: “… sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade” II Timóteo 3.7. “…antes seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado” Romanos 3.4.

Satanás é mestre em dar várias emoções às almas dos crentes carnais, e eles a recebem como sendo de Deus: “E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” II Coríntios 11.14-15. O crente carnal é sensual, vive de sensações e está sempre a procura delas. Aonde disserem que tem alguém fazendo sinais e maravilhas, lá ele deseja estar: “Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, irmão deste, e os conduziu à parte a um alto monte; e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias” Mateus 17.1-4.

                        O crente carnal está sempre precisando de estímulos. O arrependimento, a consagração, e o pedido de perdão a Deus, são constantes em suas vidas, pois vive cometendo transgressões. Os desejos mundanos são muito maiores do que a leitura bíblica, as orações e a comunhão com Deus. Isto sem dizer do medo da perdição e da incerteza da salvação. O crente carnal está sempre em dúvida. Num dia pensa estar convicto da sua fé. Chora, arrepende-se, promete nunca mais cometer tal transgressão, mas logo se vê condenado e envergonhado novamente diante de Deus. Está sempre pronto a fazer alguma coisa para alcançar a vida eterna, mas não está pronto a renunciar tudo quanto tem, nem mesmo a sua vida, para servir só a Jesus (Lucas 18.18-22).

                        O apóstolo Pedro, antes de sua experiência de novo nascimento, foi um exemplo deste crente carnal. Ele disse a Jesus que estava pronto para ir com Ele tanto para a morte, como para a prisão. Mas Jesus que conhece os corações, não o enganou, mas mostrou-lhe a necessidade de uma real conversão, e que antes que o galo cantasse, ele ficaria convencido que era um carnal, porque iria negá-lo por três vezes. Quando aconteceu, o remorso fez com que ele chorasse amargamente (Lucas 22.32-34 e 54-62). O crente carnal sempre está pronto a prometer coisas para Jesus, mas na primeira provação, também o nega como fez Pedro. Será que esta não é também a sua situação? Lembre-se, só o diabo tem interesse no seu engano.

3- Qual a situação do crente

carnal diante de Deus?:

“Porquanto a inclinação da carne é

inimizade contra Deus, pois não é sujeita à

lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e

os que estão na carne não podem agradar a

Deus” Romanos 8.7-8.

                        Não existe muita dificuldade para o homem entender que ele é um pecador, mas se existe alguém além do diabo que advoga o pecado, esse tal é o crente carnal. Ele sempre tem uma desculpa para o seu pecado. Sempre estará pronto a encontrar passagens na Bíblia, que justifiquem a sua vida de pecado. Não é para menos que a Escritura diz: “Muitos são puros aos seus próprios olhos, mas nunca foram lavados da sua imundícia” Provérbios 30.12. O crente carnal não duvida que seja um pecador, mas ignora que esta sua situação, é de inimizade contra Deus. Muitos por hipocrisia, outros por ignorância.

                        No versículo que iniciamos, a Palavra de Deus mostra-nos que o carnal é inimigo de Deus, porque não se sujeita a vontade de Deus, e mesmo que quisesse, não poderia, pois não consegue fazer o bem que quer. Portanto, os que estão na carne, não podem agradar a Deus. O pecado é a rebeldia à vontade e a santidade de Deus (I João 3.4). Por um só pecado cometido por Adão, e, diga-se de passagem, até que não foi um pecado tão escabroso, veio o juízo sobre todos os homens: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Romanos 5.12 e 3.23.

                        O crente carnal também está separado de Deus por causa dos seus pecados, pois Ele diz: “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça” Isaías 59.2. O carnal também não invoca a justiça com retidão, nem pleiteia com verdade. Confia na vaidade, concebe o mal, e dá a luz a iniquidade (Isaías 59.4). A sua boca profere a Palavra de Deus, e aproxima-se dEle para ouvir a Sua Palavra, mas não a põe por obra. Os seus lábios e a sua boca honram a Deus, mas o seu coração está longe dEle, e o temor do crente carnal para com Deus, consiste em mandamentos de homens, usos e costumes, tradições e filosofias que tem aprendido de cor (Isaías 29.13 e Ezequiel 33.31).

O crente carnal busca sempre alento nas Escrituras, e principalmente nos Salmos, quando é acometido de angústias e temores, mas nunca fica livre delas, nunca encontra descanso para a sua alma. Mas estas angústias e males vêm sobre o crente carnal por causa da desobediência como diz o Senhor em Deuteronômio 31.17: “Então se acenderá a minha ira naquele dia contra ele, e eu o deixarei, e dele esconderei o meu rosto, e ele será devorado. Tantos males e angústias o alcançarão, que dirá naquele dia: Não é, porventura, por não estar o meu Deus comigo, que me sobrevieram estes males?”.

                        O crente carnal também vê que suas orações não são atendidas, e o próprio Deus responde a isto quando diz: “Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliques as vossas orações não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue (pecados)” Isaías 1.13. A este respeito, a Palavra de Deus ainda diz: “Sabemos que Deus não ouve a pecadores, mas se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve” João 9.31.

Para muitos crentes carnais, a aparência externa, como o cabelo comprido, as vestes, e os seus costumes, são sinais de santidade. Não entendem que nada disso adianta se esta santidade não estiver no coração, porque Deus não vê como vê o homem, porque o homem vê o que está diante dos seus olhos; só vê a aparência, mas Deus olha para o coração (I Samuel 16.7). Não é o nosso diagnóstico que capacita uma pessoa a entrar no Reino de Deus, mas aquele que é feito por Jesus. Quando Ele olha para o coração de um carnal, só vê imundícia, ainda que esteja externamente com trajes de santidade. Ele mesmo disse: “Nada há fora do homem que, entrando nele, possa contaminá-lo; mas o que sai do homem, isso é que o contamina… Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e é lançado fora?… E prosseguiu: O que sai do homem , isso é que o contamina. Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem”.  Marcos 7.19-23.

                        Para Jesus, os crentes carnais são sepulcros caiados, exteriormente parecem justos aos homens, mas por dentro, estão cheios de hipocrisia e iniquidade (Mateus 23.28). Deus não se deixa escarnecer. Ninguém zombará dEle. Tudo o que o homem semear isto ele também colherá. Se semear na carne, colherá a corrupção. Isto é o que o crente carnal tem colhido por semear na sua carne (Gálatas 6.8).

O carnal sempre procura esconder os seus pecados, bem como os seus maus pensamentos, mas Deus que conhece tudo nos diz em Sua Palavra: “O Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos” I Crônicas 28.9. “E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” Hebreus 4.13. O crente carnal tem como uma de suas seguranças estarem participando de uma igreja, mas Jesus já disse que um dia, um será levado e o outro será deixado (Mateus 24.40). De Deus também podemos ouvir o mesmo, pois Ele diz: “Quanto ao ímpio, as suas próprias iniquidades o prenderão, e pelas cordas do seu pecado será detido (condenado)” Provérbios 5.22.

                        Quanto aos jejuns que se fazem Deus já disse o que pensa em Isaías 58, nos versos 3 a 7: “Por que temos nós jejuado, dizem eles, e tu não atentas para isso? por que temos afligido as nossas almas, e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais, prosseguis nas vossas empresas, e exigis que se façam todos os vossos trabalhos. Eis que para contendas e rixas jejuais, e para ferirdes com punho iníquo! Jejuando vós assim como hoje, a vossa voz não se fará ouvir no alto. Seria esse o jejum que eu escolhi? o dia em que o homem aflija a sua alma? Consiste porventura, em inclinar o homem a cabeça como junco e em estender debaixo de si saco e cinza? chamarias tu a isso jejum e dia aceitável ao Senhor? Acaso não é este o jejum que escolhi? que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo? e que deixes ir livres os oprimidos, e despedaces todo jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desamparados? que vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?”.

                        Toda a confiança de um crente carnal está nas suas obras. Sempre procura tranquilizar o seu coração, pensando haver uma conta de chegada nos céus, onde Deus pesará os prós e os contras, sendo que para Deus, as justiças humanas não passam de trapos de imundícia (Isaías 64.6). Para Deus, mesmo diante de todas essas obras, continuam imundos, injustos, e ímpios. Todos murcharão como a folha, e nas suas próprias iniquidades, como o vento, serão arrebatados, não para o céu, mas para a perdição eterna.

                        Podemos ver na parábola do fariseu e do publicano, que o fariseu apresentou-se a Deus com as suas obras. Mostrou-se justo, fiel a esposa, não defraudava nem roubava o próximo, jejuava duas vezes por semana, e dava o dízimo de tudo quanto ganhava. No final não recebeu a aprovação de Deus, mas a condenação. Ele não foi condenado porque fazia coisas certas, mas porque exaltava a si mesmo pelas suas obras (Lucas 18.11-14).

                        Se esta tem sido a sua atitude diante de Deus, será certa a sua condenação como o foi daquele fariseu. Não será diferente com qualquer um que pelas suas obras pensa entrar no Reino de Deus. Se aqueles líderes que profetizavam, expulsavam demônios e faziam muitas maravilhas, Jesus disse-lhes que nunca os conheceu, porque diziam-se crentes, mas praticavam a iniquidade; que diremos então da multidão dos crentes que participavam daquelas igrejas? Se eram muitos os líderes reprovados por Jesus, que se dirá da quantidade dos crentes que só vão às igrejas nos sábados e nos domingos? (Mateus 7.22-23).

                        Para esses crentes carnais, Jesus lhes dirá: “Nunca vos conheci, eu não confio em vocês”, porque Ele bem sabe o que é a natureza humana e ninguém precisa dar-lhe testemunho do homem (João 2.24-25). O crente carnal diz que conhece a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra (Tito 1.6).

4- O crente carnal herdará

o Reino de Deus?:

“Contra as quais vos previno como já antes

vos preveni, que os que tais coisas praticam

não herdarão o Reino de Deus” Gálatas 5.21.

                        Diante de tudo isto, podemos constatar pela Escritura, que a situação de um crente carnal é de total condenação diante de Deus. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus, como também não herdará o Reino de Deus.

                        O nome Satanás, quer dizer enganador, pai da mentira. No Éden, ele enganou a mulher dizendo: “Certamente não morrereis” Gênesis 3.4. Com certeza, se você é um crente carnal, o mesmo enganador está lhe dizendo: “Certamente que você não morrerá”. Deus que é verdadeiro e não te engana, te diz: “Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhadores; nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que vós sonhais” Jeremias 29.8. “Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência”. Efésios 5.3-7. Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”. Gálatas 6.6-7.

                        Deus é imutável. Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hebreus 13.8). Nem um j ou um til cairá da Sua Palavra sem que tudo se cumpra (Mateus 5.18). Ao culpado de maneira nenhuma terá por inocente (Naum 1.3). Deus ainda diz pela Sua Palavra que o crente carnal o tem enfadado: “Tendes enfadado ao Senhor com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o havemos enfadado? Nisto que dizeis: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é que ele se agrada; ou: Onde está o Deus do juízo? Pois eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como restolho; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo”. Malaquias 2.17; 4.1

                        A sentença dos crentes carnais será a mesma daqueles carnais que pereceram no dilúvio: “Então disse o Senhor: O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porquanto ele é carnal. Destruirei da face da terra o homem que criei” Gênesis 6.3, 7. Os que são carnais, sempre se inclinam para as coisas da carne. A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois, não se sujeita à lei de Deus. Assim, não agradando a Deus, entesouram com esta vida impenitente, mais ira para o dia da ira, e da revelação do justo juízo de Deus, pois Ele retribuirá a cada um segundo as suas obras.

A ira e a indignação de Deus estarão sobre todos os contenciosos e desobedientes à verdade, e obedientes a iniquidade e ao pecado (Romanos 2.5-8). Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio (I João 3.8). A Satanás, seus anjos, e aos que são dele, isto é, os que cometem iniquidades, Jesus dirá: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”. Mateus 25.41-46.

                        A alma que pecar essa morrerá (Ezequiel 18.4). O Senhor riscará do seu livro, todo aquele que pecar contra Ele: “Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que tiver pecado contra mim, a este riscarei do meu livro” Êxodo 32.33. Diante de tudo isto, fazemos então uma pergunta: – Qual a segurança que um crente carnal possui? O participar de uma igreja? Ser membro ativo, ou ser um líder; ter cargos, ou dar o dízimo? Deus não se engana, pois, ainda que alguém seja tudo isto, mas sendo um crente carnal, o salário do seu pecado será a morte (Romanos 6.23). A parte que lhe cabe é no lago de fogo, que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte. Para Deus, o crente carnal tem nome de que vive, mas está morto (Apocalipse 3.1). Ele não entrará no novo céu e na nova terra, porque não entrará nela coisa alguma impura, nem o que pratique abominação ou mentira, mas somente os que estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Apocalipse 21.27).

                        Todo o bem que possivelmente alguém tenha feito, não será contado por Deus naquele dia, somente a sua iniquidade e o seu pecado será levado em conta, e isto Deus nos diz claramente em Ezequiel 18.24: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; pois pela traição que praticou, e pelo pecado que cometeu ele morrerá”.

Diante de tudo isto que temos ouvido da própria boca de Deus, podemos afirmar com toda a segurança, que o crente carnal não herdará o Reino de Deus. Para eles, só restarão os Ais, choros e ranger de dentes: “Ai dos que puxam a iniqüidade com cordas de falsidade, e o pecado como com tirantes de carros! E dizem: Apresse-se Deus, avie a sua obra, para que a vejamos; e aproxime-se e venha o propósito do Santo de Israel, para que o conheçamos. Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e astutos em seu próprio conceito! Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades; para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! Mas que fareis vós no dia da visitação, e na desolação, que há de vir de longe? a quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa riqueza? Nada mais resta senão curvar-vos entre os presos, ou cair entre os mortos. Com tudo isso não se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão”. Isaías 5.18-21 e 10.1-4.

                        O crente carnal nunca poderia ser colocado por Deus no novo céu e na nova terra, porque mesmo lá, ele nunca aprenderia a justiça. Não deixaria de praticar o pecado, e muito menos iria atentar para a majestade do Senhor: “Ainda que se mostre favor ao ímpio, ele não aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniqüidade, e não atenta para a majestade do Senhor”. Isaías 26.10. Além de tudo isto, o mais importante, é que Deus é um juiz justo. Um Deus que se sente indignado pelo pecado todos os dias. Ele já tem a sua espada afiada; armado e entesado o seu arco. Já tem preparado as suas armas mortíferas, fazendo suas setas inflamadas, para dar a cada um segundo as suas obras (Salmos 7.11-13). Deus é bondoso, misericordioso, amoroso, longânime; mas também severo, justo, horrendo e um fogo consumidor. Devemos considerar a bondade de Deus, mas não podemos desprezar, nem olvidar a sua severidade (Romanos 11.22).  

                        Se você é um crente carnal, não se engane, porque Deus não te engana. Satanás é o único enganador. Por isso, Deus que não pode mentir, afirma: “Mas estes, como criaturas irracionais, por natureza feitas para serem presas e mortas, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo a paga da sua injustiça; pois que tais homens têm prazer em deleites à luz do dia; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em suas dissimulações, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar; engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição” II Pedro 2.12-14.

Aos ministros e líderes carnais, Deus também se dirige dizendo: “Estes, porém, blasfemam de tudo o que não entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres irracionais, mesmo nisso se corrompem. Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré. Estes são os escolhos em vossos ágapes, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas” Judas 10-13.

                        Contra estas coisas Deus vos previne ó crente carnal, como já antes te preveniu, que os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus. Deus ainda te pergunta: “Poderá estar firme o teu coração? Poderão estar fortes as tuas mãos, nos dias em que eu tratarei contigo? Eu, o Senhor, o disse, e o farei” Ezequiel 22.14. Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Jó precisou ser entregue a Satanás para compreender isto, porque considerava-se justo aos seus próprios olhos. Se ele não tivesse se abominado no pó e na cinza, bem como se arrependido daquela situação diante de Deus, com certeza ele estaria perecendo agora no inferno, com toda a sua integridade, retidão e temor a Deus (Jó 42.5-6).

                        “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos; volte-se ao Senhor, que se compadecerá dele; e para o nosso Deus, porque é generoso em perdoar. Mas se não fizerdes assim, estareis pecando contra o Senhor; e estai certos de que o vosso pecado vos há de atingir”, diz o Senhor Todo-Poderoso. (Isaías 55.6-7 e Números 32.23).

5- A salvação é para os

crentes pecadores:

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo

pela sua sabedoria não conheceu a Deus,

aprouve a Deus salvar os crentes  pela

loucura da pregação” I Coríntios 1.21.

                        Por este versículo, podemos constatar que Deus tem uma salvação para os crentes. Isto mostra que nem todo crente é salvo, mas que a salvação é para aqueles que temem e tremem diante da Sua Palavra (Isaías 66.2). Toda a salvação de Deus é dirigida aos crentes que estão na carne, pois aos incrédulos, já vimos que a sua parte será no lago de fogo.

Como pudemos verificar anteriormente, os crentes carnais não herdarão o Reino de Deus. Podem ser participantes de uma igreja, ser um pastor, ou um líder, ir regularmente aos cultos, fazer todo tipo de obra, ser fiel nos seus dízimos, mas se ele for um carnal,  precisará conhecer a salvação de Deus. As Escrituras falam desta salvação quando diz: “E isso fazei, conhecendo o tempo, que já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes”  Romanos 13.11.

Nenhum carnal tem certeza da sua salvação. Toda sua segurança, como já vimos, está baseada em ser membro de uma igreja e ser crente, mas somente entrarão nesse novo céu e nessa nova terra, os que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro, e seus pecados se tornaram brancos como a neve, pois assim diz o Senhor: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas” (Isaías 1.18 e Apocalipse 22.14.

Um crente jamais poderá considerar-se salvo, enquanto for escravo do pecado, porque Jesus disse: “Todo o que comete pecado, é escravo do pecado” João 8.34. Enquanto os seus pecados não forem lavados, e purificados diante dos olhos de Deus, este crente estará condenado. Jesus veio buscar e salvar os que estavam perdidos, e sob o domínio do pecado: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Lucas 19.10. O que separou o homem de Deus foi o pecado, e o que Jesus veio fazer é salvar o homem do seu pecado: “Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; e livrasse todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão” Hebreus 2.14-15.

“Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado” Romanos 8.3. Para todo carnal que vive tentando obedecer a lei de Deus, este versículo nos mostra que a lei é fraca diante desta natureza carnal, ainda que a lei esteja sempre dizendo: “não faça isto”. A carne anda ao contrário da lei, e sempre a transgride. Foi por isso que Jesus veio, por causa do pecado, e para nos salvar do poder e da morte que ele exerce sobre nós. Ele disse: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” João 8.36.

Não considere isto uma coisa impossível a você, pois aqui começaria a sua derrota, sendo que o próprio nome de Jesus significa: “aquele que salva o seu povo dos seus pecados”. Quanto a isto em Mateus 1.21 diz: “ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Se você não está salvo dos seus pecados, e ainda continua sendo vencido por eles, você não está salvo por Jesus. Você nunca o viu, nem o conheceu (I João 3.6). Você pode ter ouvido falar de Jesus a sua vida toda, mas não conhece o Salvador como experiência pessoal.

Neste caso, você não passa de um religioso, e sua religião não passa de uma torre de Babel, tentando com as suas obras chegar ao céu. Todo aquele que continua sendo vencido pelo pecado permanece em sua natureza pecaminosa e terrena. Ainda é Adão e nunca foi feito uma nova criatura, que é segundo a imagem de Jesus Cristo. “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” II Coríntios 5.17. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” Efésios 2.10.

Muitos crentes conhecem versículos tais como: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Graças, porém a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo” (Filipenses 4.13; Romanos 8.37; II Coríntios 2.14), mas nunca puderam verdadeiramente identificarem-se com eles como uma experiência real. Para estes, esta vida abundante que Jesus fala em João 10.10 é impossível de alcançar neste mundo.

O que acontece, é que sem a regeneração, ou o novo nascimento, isto é, uma obra completa feita por Deus no seu interior, o crente carnal nunca poderá provar esta vida plena, como também ver e entrar no Seu Reino. Somente um povo salvo, santo, remido e purificado do pecado, o verdadeiro povo de Deus é que entrará nele, pois, Ele diz: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras” Tito 2.13-14.

Remir de toda a iniquidade significa tirar do poder ou do cativeiro da iniqüidade. Agora, purificar, é tirar toda a impureza. Se alguém estiver debaixo do poder ou no cativeiro do pecado, com todas as impurezas, ainda não conheceu o Salvador Jesus, e ainda não pertence à Igreja de Deus, a igreja dos justos aperfeiçoados (Hebreus 12.23). A salvação não é obra nossa, mas de Deus na Pessoa de Jesus. Esta obra está consumada, e se alguém não está salvo do seu pecado, é porque não conhece o Salvador, mas somente uma religião: “… todo o que vive pecando não o viu nem o conheceu” I João 3.6.

A salvação não consiste na pessoa ser um crente e participar de uma igreja, mas de estar salva do pecado. A religião denominacional é um fruto da imaginação perversa do coração do homem, que presume ser as suas obras o meio de comprar a sua salvação, e saldar a sua conta para com Deus. A redenção do homem é caríssima, e só pode ser paga a preço de sangue e de morte. Todas as obras ou todos os recursos do mundo não dariam para quitar tal dívida (Salmo 49.8). Quanto a isto, Deus ainda diz: “Não aceitarei resgate pela vida de um homicida que é réu de morte; porém ele certamente morrerá” Números 35.21.

Se você é um crente carnal, você precisa nascer de novo. E é sobre este novo nascimento, que é a necessidade de qualquer pessoa para entrar no Reino de Deus, que vamos ver em seguida.

O CRENTE ESPIRITUAL

O nascimento no Espírito:

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade

 te digo que se alguém não nascer da água e

do Espírito, não pode entrar no Reino de

Deus” João 3.5.

Nunca poderíamos fazer um diagnóstico do crente carnal, e deixá-lo morrer na sua doença. O falso médico é aquele que mostra a doença, mas não trata do doente para que seja curado, só o remedeia. Jesus não é um médico que apenas veio mostrar a doença, mas curar e salvar totalmente todo doente que crê. É para chamar os crentes carnais doentes, que Jesus veio. Jesus não veio para os sãos, nem para os justos, mas para os doentes, injustos e pecadores. “Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” Mateus 9.12-13.

Caso você não esteja enfermo e no pecado, saiba que Jesus não veio para você, e nunca será seu Salvador. Jesus encontrou certa vez um homem que era muito religioso e considerava-se justo diante dos homens. Tanto era assim, que ele próprio ensinava ao povo, pois, era mestre em Israel. Seu nome era Nicodemus. Jesus não se deu à sua aparência e logo lhe disse sobre a sua principal necessidade: Nascer de novo.

Quando Jesus estava dizendo da necessidade do novo nascimento a Nicodemus, ele não estava falando desta necessidade apenas para ele, pois a palavra “alguém”, mostra que qualquer pessoa que não nascer de novo, não poderá entrar no Reino de Deus. Logo em seguida, vemos no verso 6 do capítulo 3 de João, Jesus mostrando porque o novo nascimento é necessário quando disse: “o que é nascido da carne é carnal, e o que é nascido do Espírito é espiritual”.

O novo nascimento tirou o homem de uma vida carnal, sob o domínio do pecado e do diabo, para uma vida espiritual; tendo como princípio a santidade e a obediência a Deus: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” I Pedro 1.2. Muitos consideram o Espírito Santo como um doador de dons e de poder, mas a segurança da salvação ou do novo nascimento de alguém, não está no fato dele falar línguas ou possuir algum dom, mas dele estar liberto do pecado, andando em obediência, e em santidade diante de Deus.

A maior obra do Espírito no novo nascimento de uma pessoa, como nos mostra o versículo que acabamos de ver é: santificação e obediência. Talvez muitos pensem com isto, que não cremos nos dons do Espírito Santo. Jamais poderíamos negligenciar os dons do Espírito. Sem eles, não poderíamos escrever nenhuma linha deste livro. Não só cremos nos dons como também temos experimentado, mas o primeiro dom que recebemos do Espírito é a mudança de coração, a santificação, e a vida de obediência a Deus. Se essas características não estiverem numa pessoa, ela não tem o Espírito como o penhor de sua salvação.

De que adianta aqueles crentes, que exibem seus dons diante dos outros, mas estão envolvidos com a mentira, o engano, as maledicências, a inveja, os ciúmes e com muitos outros pecados, fora e dentro das igrejas. Este novo nascimento traz a nós, mesmo vivendo neste mundo, vida de santidade e justiça diante de Deus todos os dias da nossa vida: “de conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, o servíssemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida” Lucas 1.74-75.

Aqueles líderes e ministros de quem Jesus fala em Mateus 7, também profetizavam, expulsavam demônios, falavam em línguas e faziam muitos milagres. Eles faziam tudo isto, porque o Nome de Jesus tem poder, mas nada daquilo lhes adiantará, pois, no dia do juízo, Jesus lhes dirá claramente: “Nunca vos conheci, apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. Este juízo de Jesus mostra-nos que eles não eram nascidos de novo, pois viviam em iniquidade (Mateus 7.22-23).

Todo aquele que nasceu do Espírito, é guiado por este Espírito: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus” Romanos 8.14. A direção do Espírito faz-nos andar em toda a verdade: “Quando vier, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” João 16.13. Como pode alguém afirmar que tem o Espírito, e que nasceu de novo, se anda na mentira. Todo aquele que está na carne é carnal, é pecador, e todo aquele que está no Espírito, é espiritual, porque é nascido do Espírito, está revestido de Cristo, e nunca mais estará na carne: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” Romanos 8.9. Isto só é possível, se verdadeiramente você nasceu de novo e o Espírito de Cristo estiver habitando em você.

O corpo humano é o santuário de Deus, e Satanás tem se assentado neste santuário, apresentando-se como se fosse o próprio Deus (II Tessalonicenses 2.4), enganando grande parte dos crentes, dizendo-se ser o Espírito de Deus com os seus dons. Considere este exemplo: – Se um japonês estiver possesso, este espírito maligno que estiver nele, caso esteja no Japão, falará na língua japonesa. Se este mesmo espírito possuir algum crente em qualquer igreja aqui no Brasil, e falar na mesma língua japonesa, este crente será considerado um homem espiritual. Cuidado para que ninguém vos engane. O Espírito é Santo, e este Espírito Santo só pode habitar num templo que é santo. O Espírito de Cristo também é conhecido pela Palavra de Deus, como “a divina semente”. Em quem a divina semente habita o pecado não mais poderá ser concebido: “Aquele que é nascido de Deus não peca; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus” I João 3.9.

As obras de um carnal e de um espiritual são claramente vistas e manifestas. Assim como o pecado não é algo que fica inativo, mas se manifesta no carnal, assim também os frutos do Espírito são claramente vistos naqueles que nasceram do Espírito. Jesus nos diz que: “pelos seus frutos os conhecereis” Mateus 7.20. “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade,  a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei” Gálatas 5.19-23. É com este diagnóstico da Palavra de Deus, que ninguém poderá andar em dúvida não sabendo se é ou não nascido do Espírito.

Leitor, se o pecado ainda tem domínio sobre a tua carne, você ainda é um carnal e está sem conhecer o Salvador, mesmo que seja um crente dedicado. Se o que manifestam em você são os frutos do Espírito, com toda certeza você está convicto do seu novo nascimento e conhece o seu Salvador. “Quem, Senhor, habitará na tua tenda? quem morará no teu santo monte? Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça, e do coração fala a verdade; que não difama com a sua língua, nem faz o mal ao seu próximo, nem contra ele aceita nenhuma afronta; aquele a cujos olhos o réprobo é desprezado, mas que honra os que temem ao Senhor; aquele que, embora jure com dano seu, não muda” Salmos 15.1-4.

O ministério do Espírito em uma pessoa tem um aspecto pleno, pois, Ele é o que traz a compreensão da Palavra de Deus e as suas promessas: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus” I Coríntios 2.12. Como vimos anteriormente, o novo nascimento também é obra do Espírito: “Profetizei, pois, como ele me ordenara; então o fôlego da vida entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo” Ezequiel 37.10. Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão como quem pranteia por seu filho único; e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito” Zacarias 12.10.

É o mesmo Espírito que conduz esta nova criatura a uma vida de obediência e santidade a Deus, livrando-o assim da lei do pecado: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” Romanos 6.14. “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo (este é o espírito do homem, novo e regenerado); e tirarei da vossa carne o coração de pedra (este coração de pedra não fica na nova criatura), e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito (este é o Espírito de Cristo, o novo homem), e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis” Ezequiel 36.25-27.

Muitos crêem que este coração de pedra, que nada mais é do que o velho homem, ainda continua no crente depois do seu novo nascimento. Mas neste versículo de Ezequiel 36.25-27, temos de Deus a clareza de que o coração de pedra é tirado do nosso interior, e é colocado em seu lugar um coração de carne. Ao contrário do que se pregam em vários púlpitos, Deus não deixa os dois corações, ou os dois cachorros branco e preto, ou as duas naturezas, ou ainda o EU ou Cristo no trono. Ele tira o velho e nos dá um coração totalmente novo, como também nos faz andar em sua vontade, com uma só vida, a vida de Cristo em nós (Gálatas 2.20).

O Espírito também é o autor da nossa santificação conforme Deus nos diz em Sua Palavra: Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade” II Tessalonicenses 2.13. Este mesmo Espírito de Cristo é a Vida Eterna em nós, e também a garantia da nossa salvação: “no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória” Efésios 1.13-14. “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” I João 5.12.

O Espírito também é identificado pelas Escrituras, como o Ensinador, pois, é por Ele que aprendemos todas as coisas: “E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei” I João 2.27. É Ele também que mortifica a natureza carnal, e estabelece a natureza divina em nós: “porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” Romanos 8.13.

Por último, será por este Espírito que receberemos a redenção do nosso corpo: “Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” Romanos 8.10-11.

O carnal é aquele que está na carne, vive e anda na carne, e faz a vontade da carne e dos pensamentos, e é por natureza filho da ira como também os demais pecadores. O carnal está corrompido pelas concupiscências do engano (Efésios 2.3 e 4.22). O crente espiritual é aquele que nasceu do Espírito, vive e anda no Espírito, faz a vontade de Deus, e está crescendo em santidade, e em conhecimento de Deus e de Jesus Cristo: “Nisto conheceremos que somos da verdade, e diante dele tranqüilizaremos o nosso coração; porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos condena, temos confiança para com Deus; e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista. Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou. Quem guarda os seus mandamentos, em Deus permanece e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos tem dado” I João 3.19-23. “Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” I João 5.20.

Os crentes de Éfeso (Atos 19.1-6), só conheciam o batismo do arrependimento de João, ainda não tinham conhecido o Espírito Santo e a sua obra de novo nascimento. Hoje muitos crentes só conhecem o batismo do arrependimento, e continuam na carne porque não conhecem a Jesus, o Espírito, e a libertação que Ele traz. Sobre isto Ele diz: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito; que haviam de receber os que nele cressem” João 7.38-39.

2- Os que são de Cristo

crucificaram a carne:

“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a

carne com as suas paixões e

concupiscências” Gálatas 5.24.

O novo nascimento é a obra que Deus realizou no sacrifício de Cristo, tirando de nós a nossa natureza carnal e pecadora que nascemos com ela herdadas de Adão, colocando em Cristo naquele madeiro; dando-nos da Sua natureza divina, espiritual e incorruptível pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, e que agora é gerado em nós pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo: “Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus… E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” João 3.5; 14-15. “…sendo de novo gerados, não de semente corruptível (pela semente do homem), mas de incorruptível (pela divina semente de Deus – I João 3.9), pela palavra de Deus, a qual vive e permanece para sempre” I Pedro 1.23. “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” Tiago 1.18.

Esta natureza carnal é chamada pelas Escrituras de “homem velho”, ou “corpo do pecado”. Este homem velho, ou corpo do pecado, representa a nossa condição primitiva de geração no pecado, isto é, a natureza má e corrupta que trazemos por herança dos nossos pais. O homem velho é todo homem ou mulher, adulto e criança, que vive como filho de Adão, andando na escravidão do pecado e no engano: “Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro (deste velho homem) e contaminam o homem” Marcos 7.21-23.

Este homem velho é o mesmo que o apóstolo Paulo chamou de “corpo desta morte” em Romanos 7.24. Este homem velho é o mesmo que operava em seus membros dando frutos para a morte, e também o que operava a lei que sempre o levava ao pecado: “Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado (aqui o apóstolo Paulo não está tratando dos pecados, mas do pecado, isto é, do homem velho, da fonte produtora de pecados) que habita em mim” Romanos 7.19-20.

Esta é a situação de um carnal, de alguém que ainda não teve a sua natureza terrena arrancada por Deus. O apóstolo Paulo não está nesta passagem falando de sua nova vida no Espírito, mas de sua vida ainda nas paixões da carne. Ele nos fala isto no versículo 5 do mesmo capítulo 7 quando diz: “Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte”.

Em todo lugar temos encontrado muito desses carnais que tentam provar a sua salvação, justificando-se nestas palavras do apóstolo Paulo, sendo que não continuam atentando para a Palavra de Deus e vendo que em Romanos 8.2, o mesmo apóstolo Paulo fala de sua libertação do cativeiro do pecado pelo Espírito da Vida em Cristo Jesus. O apóstolo dá testemunho nesses versículos de sua vida na carne, nas paixões dos pecados onde não conseguia fazer o bem que queria, mas somente o mal que não queria. Também da sua nova vida debaixo da graça, não mais na carne, mas no Espírito quando disse: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” Romanos 8.1-2.

No versículo 5 do capítulo 7, ele fala claramente de sua vida na carne, e no versículo 1 do capítulo 8, da sua vida no Espírito e não mais na carne. Se não tivermos a revelação do Espírito, ninguém poderá discernir nem entender estas coisas porque elas são o mistério de Deus que esteve guardado em silêncio desde os tempos eternos  (Romanos 16.25-26), e que agora Ele quer fazer conhecer pelas Escrituras proféticas. Mistério é algo que ninguém entende se não for revelado por Deus.

Cuidado para que você não esteja entre aqueles de quem Deus fala em João 12.38-41, quando diz: “…para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías: Senhor, quem creu em nossa pregação? e aquem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, porque, como disse ainda Isaías: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos e entendam com o coração, e se convertam, e eu os cure. Estas coisas disse Isaías, porque viu a sua glória, e dele falou”. Ou entre aqueles que Ele diz: “Vede, ó desprezadores, admirai-vos e desaparecei; porque realizo uma obra em vossos dias, obra em que de modo algum crereis, se alguém vo-la contar” Atos 13.41.

O homem sem o novo nascimento, por mais que tente viver em santidade e justiça não poderá fazê-lo. Por mais que ele queira fazer o bem não consegue, porque o pecado não lhe veio trazer somente culpa, mas o poder e a presença deste pecado nele. Tentar viver para Deus no pecado, seria a mesma coisa que uma árvore má tentar dar frutos bons. Ela não pode, porque a maldade é fruto da sua natureza má. Um homem pecador, tentando não produzir pecados é a mesma coisa, será impossível, porque o pecado faz parte da sua natureza.

A cobra venenosa não consegue deixar de ser peçonhenta, como também não consegue gerar seus filhotes sem o veneno; assim também o homem não pode deixar de pecar, nem de gerar filhos pecadores. Há no homem o poder do pecado que reina sobre ele, e o homem passa a ser seu escravo. O escravo não pode se livrar por si mesmo, somente será livre se o seu Senhor o alforriar: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse…” Romanos 5.17. “Todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado” João 8.34.

O pecado não é algo que quando decidimos deixá-lo, podemos fazê-lo. Ele está arraigado no homem da mesma maneira que está a sua vida. O pecado reina no homem, e como nos diz o Salmo 125.3, o cetro (símbolo de poder) da impiedade repousa sobre ele. O pecado reina no homem e o subjuga a um império, isto é, o império da morte que está no poder do diabo (Hebreus 2.14). O pecado é tão poderoso, que tem subjugado o homem desde a criação do mundo, e somente a morte de um justo pôde livrá-lo de tal poder. Não há outro meio de alguém estar livre deste poder sem o novo nascimento. Sem o poder do Espírito da vida em Cristo Jesus, ninguém poderá livrar-se do poder do pecado nem da sua condenação à morte eterna.

Como o pecado reina no homem, o poder do velho homem está sempre atuante, e consequentemente a presença do pecado é inevitável. Davi disse: “Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” Salmo 51.3. O homem por si só não pode mudar este quadro. Normalmente ele se engana procurando em Deus o perdão para a culpa que o pecado traz, mas a Palavra de Deus diz: “O salário do pecado é a morte” Romanos 6.23. Ainda que Deus mostrasse favor ao pecador, perdoando cada transgressão sua, mesmo assim Deus ele não aprenderia a justiça. Ainda que o colocasse num lugar onde o pecado não estivesse presente, não deixaria de pecar (Isaías 26.10). Se somente o perdão fosse necessário, Jesus não precisaria ter vindo para morrer por nós, poderíamos continuar a fazer os sacrifícios dos animais e isto bastaria.

O perdão não é suficiente, porque o poder e a presença do pecado continuam no homem. Somente uma salvação plena feita por Deus pode tirar o homem deste triste quadro. Esta é a salvação que Jesus realizou. Esta é a salvação que Jesus realizou em seu corpo na Sua morte e ressurreição. A salvação não poderia ser chamada de salvação, se Deus tivesse apenas perdoado o homem, e o deixasse sobre o domínio deste velho homem e no cativeiro do pecado. Se uma árvore produz frutos maus, é porque ela é uma árvore má. Nunca dará frutos bons. Para dar frutos bons, terá que ser arrancada e plantada uma árvore boa em seu lugar. É isto que Deus fez conosco em Jesus, pois Jesus disse: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” Mateus 15.13.

No sacrifício de Jesus, Deus não somente nos perdoou, mas realizou uma tríplice justificação. Muitos ainda estão vivendo como carnais por falta de conhecimento desta grande salvação, e outros porque não crêem: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” Oséias 4.6. Esta tríplice justificação envolve o sangue de Jesus, a Sua morte, e a Sua ressurreição. Todo erro procede da falta de conhecimento das Escrituras e do poder de Deus (Mateus 22.29). Para os que não crêem, só está reservado o juízo do grande dia e um ardor de fogo que há de devorá-lo: “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários” Hebreus 10.26-27.

O sangue de Jesus tem na justificação, a função de tornar o culpado em inocente, inculpável, e justo. A justificação remove a culpa dos pecados cometidos no tempo da ignorância e a que trouxemos de Adão: “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos” Romanos 3.24-25.

O sangue também nos aproximou de Deus, pois a nossa iniquidade é que fazia separação entre nós e o nosso Deus. Isaías 59.2 diz: “mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça”. “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” Efésios 2.13. O sangue também nos trouxe a paz com Deus, porque no pecado nos tornamos inimigos de Deus no entendimento pelas nossas obras más (Colossenses 1.21): “e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” Colossenses 1.20.

O sangue derramado por Jesus também nos comprou para Deus, como nos diz Apocalipse 5.9-10: “Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra”. Ele nos comprou porque pertencíamos ao diabo, e estávamos por toda a vida sujeitos à escravidão, como nos diz I João 3.8: “quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio”, e Hebreus 2.14-15: “Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; e livrasse todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão”. Este versículo nos mostra que fomos remidos; fomos tirados do poder do cativeiro do pecado e do diabo.

O sangue nos redimiu, isto é, nos libertou de tudo que nos prendia. Estávamos acorrentados de pés e mãos, e pelo seu sangue as cadeias se romperam: “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça” Efésios 1.7. “Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” Apocalipse 1.5. Muitos usam o sangue de Jesus como um poder para expulsar demônios, ou para curar enfermos; mas não é o sangue de Jesus, mas o Seu Nome é que tem poder para isto. O sangue teve como função fundamental na justificação, a purificação dos nossos pecados: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” Hebreus 9.22.

Para que a justificação pelo sangue, que nos levou à reconciliação, à paz, à remissão e ao perdão dos pecados fosse consumada por Deus, antes de tudo ele precisou retirar de nós o nosso pecado, como também os nossos pecados e colocar no corpo de Jesus Cristo naquela cruz, para que, justificados e mortos para o pecado, pudéssemos viver para a justiça: “levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” I Pedro 2.24.

Na morte de Jesus, Deus executou mais uma etapa desta tríplice justificação para o homem. No sangue houve a reconciliação, a paz, e a remissão. Na morte de Jesus, houve a destruição do homem velho, do corpo do pecado. No sangue Deus trata com os frutos, na morte de Jesus Deus trata com a natureza da árvore.

Saber que Jesus morreu por nós, representa só o lado substitutivo do sacrifício. Esta face da morte de Jesus representa a remoção da dívida paga por Ele, pelos nossos pecados cometidos, pois Deus nos diz: “que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras” Tito 2.14. “… e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz” Colossenses 2.14.

É verdade que Jesus nos substituiu naquela cruz, mas encontramos na morte de Jesus uma outra face muito preciosa que é o lado vicário do sacrifício. Esta face representa a plena e total representação de Jesus por nós diante de Deus. Jesus foi plenamente aceito por Deus para nos representar diante dEle. Este lado vicário da morte de Jesus fez com que Deus ao aceitar a morte de Jesus como paga do pecado, estivesse aceitando a nossa morte e a quitação da nossa dívida, pois a lei dizia: “A alma que pecar esta morrerá” Ezequiel 18.4. Em Cristo o próprio Deus nos faz saber que: “Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” II Coríntios 5.21.

Caminhando pela Palavra de Deus, podemos com a Sua misericórdia saber mais uma face desta morte de Jesus: o lado expiatório. A vida está no sangue (Levítico 17.11), e quando foi derramado totalmente o sangue, Jesus morreu (João 19.34). Isto representou a destruição total da culpa do pecado, pois os pecados já haviam sido perdoados pelo sangue: “Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos” Isaías 53.10.  “Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo” Hebreus 2.17.

A última face deste sacrifício de Jesus é o lado identificativo. Esta face representa a nossa identificação com Jesus em seu sacrifício, isto é, quando Jesus foi pregado naquela cruz, nós nos tornamos uma só pessoa com Ele. Assim como fomos identificados com Adão em seu pecado no Éden, porque para Deus foi como se cada um de nós tivesse comido da árvore do conhecimento do bem e do mal, também fomos da mesma forma identificados com Jesus em seu sacrifício. Para Deus esta identificação nos levou a receber a sentença de morte juntamente com Adão no Jardim do Éden, assim como a estarmos mortos com Jesus no Gólgota.

A nossa identificação no pecado de Adão, deu-se quando ele comeu juntamente com sua mulher da árvore do conhecimento do bem e do mal que Deus tinha dito que não era para se comer. A nossa identificação na morte de Cristo, deu-se quando Jesus foi levantado da terra pelos soldados naquela cruz, pois Ele disse: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer” João 12.32-33. Como em Adão, tudo o que aconteceu com ele depois da queda, também aconteceu a nós; em Jesus tudo o que aconteceu com Ele, aconteceu conosco também. Adão foi condenado, nós também fomos condenados (Romanos 5.18). Adão morreu por causa do pecado, nós também morremos juntamente com ele (Romanos 5.12). Adão foi destituído da Glória de Deus (Gênesis 3.23), nós também fomos destituídos juntamente com ele (Romanos 3.23). 

Na nossa identificação com Jesus, tudo o que aconteceu com Ele aconteceu conosco também. Jesus foi crucificado em uma cruz, e nós fomos crucificados juntamente com Ele (Romanos 6.6). Jesus morreu, nós também morremos juntamente com Ele, Aleluia!: “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?” Romanos 6.3 (cuidado, porque aqui Deus não está falando de batismo nas águas como muitos interpretam, mas de batismo na morte de Jesus. Batismo aqui significa estar incluído completamente nEle). “Ora, se já morremos com Cristo” Romanos 6.8. Jesus foi sepultado, nós também fomos sepultados com Ele na mesma identificação:  “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” Romanos 6.4.

Depois de três dias e três noites, Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos, e ressuscitou-nos juntamente com Cristo, pois, também na ressurreição estávamos identificados juntamente com Ele, quando diz: “estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” Efésios 2.5. Esta identificação não é somente nossa com Jesus, mas Jesus também se identificou com o pecado de Adão e o nosso pecado quando nos atraiu para o seu corpo, e esta foi a causa da sua morte. Mas quando Deus ressuscitou a Jesus, livrando-o da morte, livrou-nos também da morte que tínhamos em Adão, dando-nos vida juntamente com Ele: “Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados” I Coríntios 15.22. Aleluia!

Por fim, esta identificação introduziu-nos nos céus, na presença do próprio Deus pela Pessoa de Jesus Cristo. Aquele trono que para nós seria o lugar da manifestação da ira e da sentença de Deus sobre nós, agora é o lugar que Deus nos chama à Sua comunhão: “e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus” Efésios 2.6. “Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne” Hebreus 10.19-20.

Finalmente, Deus completa este plano da sua tríplice justificação, com a ressurreição de Jesus quando diz: “o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitado para a nossa justificação” Romanos 4.25. No sangue temos a reconciliação, a paz, o perdão, e a remissão dos nossos pecados. Na morte, temos a substituição de Jesus em nosso lugar naquela cruz, removendo toda a dívida, e pagando tudo o que Deus tinha contra nós. Na cruz Jesus também nos representou legalmente e plenamente diante de Deus. A sua expiação destruiu toda a culpa do pecado. Em Jesus também fomos identificados na sua morte, sendo por Ele atraídos, mortos, sepultados, ressuscitados e exaltados (glorificados) juntamente com Ele.

Completando a justificação, fomos ressuscitados juntamente com Cristo, possibilitando assim, o Espírito Santo trazer a nós neste tempo presente o arrependimento, a remissão dos nossos pecados, e a habitação do Espírito de Cristo no nosso interior, como o selo de Deus em todos aqueles que foram justificados, pois está escrito: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro; sim, Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão de pecados. E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” Atos 5.30-32.

Não poderíamos ser justos diante de Deus, se esta justificação no fosse plena, pois, no sangue, todos os nossos pecados que cometemos no tempo da nossa ignorância, foram totalmente perdoados. Porém, não adiantaria somente perdoar os pecados e nos deixar escravos da mesma natureza que nos leva a cometer os mesmos pecados. Deus não faria uma obra tão grandiosa e só nos perdoaria dos pecados, deixando-nos escravos dele. Por isso, Deus incluiu-nos no corpo de Jesus na Sua morte, para que o corpo do pecado fosse destruído, a fim de não servirmos mais ao pecado como escravos. Assim nos ensina Deus quando diz: “sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado” Romanos 6.6.

Portanto, estando os pecados perdoados, e o velho homem destruído, Deus trouxe-nos vida abundante pela ressurreição de Jesus. Aqui se cumpre esta tríplice justificação de Deus: o sangue trouxe o perdão, a paz, e a reconciliação; a morte trouxe a destruição do velho homem, e a ressurreição trouxe a Vida de Cristo a nós, para nunca mais andarmos em temor, debaixo da condenação e da escravidão do pecado. A vida da ressurreição nos leva para uma vida santa, inculpável e irrepreensível diante de Deus: “agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis” Colossenses 1.22. “Tudo já está consumado” disse Jesus. Este foi o ato de justiça que Deus realizou em Cristo em nosso favor, totalmente pela Sua misericórdia e graça. Agora podemos crer e dizer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gálatas 2.20.

A nossa justificação não nos é conferida por Deus pelas obras ou por qualquer coisa que possamos fazer, mas sim pela fé. Do contrário não seria graça, mas dívida: “Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida; porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça; assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputará o pecado” Romanos 4.2-8.

Caso você seja um crente carnal, talvez agora você entenda porque tem prazer na lei de Deus, mas vê nos seus membros uma outra lei guerreando contra a lei do seu entendimento, e levando os seus membros cativos a obediência ao pecado e não a Deus. Simplesmente aceitar a Jesus em algum apelo, chorar e ter remorso da sua vida em pecado não traz esta experiência de libertação. Somente uma regeneração genuína, vinda de Deus, pela fé nesta plena justificação realizada em Jesus, onde seus pecados foram totalmente perdoados e você lavado no Seu sangue. Que você, o pecador está morto e o seu velho homem foi completamente destruído na Sua morte, e que você ressuscitou juntamente com Cristo, sendo assim nova criatura, nascida de novo, é que pode trazer a você uma verdadeira salvação. O resultado desta experiência é poder viver esta vida abundante que a Palavra de Deus tanto fala, já neste mundo, porque Ele diz: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo… para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” Romanos 5.17 e 21.

Diante de tudo isto, você poderá perguntar: – Mas então estas pessoas que crêem que Jesus morreu por elas. Aceitando-o como seu Senhor e Salvador; tornaram-se crentes, foram batizadas, e agora estão participando ativamente de uma igreja, mas que nunca creram na sua morte e ressurreição com Cristo está se perdendo? Com muita misericórdia temos que dizer que caso não venham a crer, já estão condenadas. O Espírito Santo nos instrui sobre isto quando diz: “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” II Coríntios 4.3-4. A religião tem sido um instrumento do diabo para enganar o mundo: “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele”  Apocalipse 12.9.

Mas Deus é o Senhor dos céus e da terra, e o diabo não conseguirá apagar nem esconder a Sua Verdade, porque Ele mesmo vela pela Sua Palavra para a cumprir. Esta Palavra não voltará para Ele vazia, pois assim diz o Senhor: “Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” Jeremias 1.12. “Porque, assim como a chuva e a neve descem dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir e brotar, para que dê semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” Isaías 55.11.

Peço a Deus que o Espírito te leve a considerar bem cada tópico abordado neste capítulo, porque nestas passagens das Escrituras nos é revelado o mistério da salvação que foi guardado por Deus dos séculos e das gerações. O intuito principal deste livro é a apresentação da verdade sobre a Palavra da cruz: “Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem” I Coríntios 1.18, 21.

Por ser um mistério, não posso fazê-lo por minha própria força ou persuasão, mas espero inteiramente na Sua graça (I Coríntios 15.10). Sei que todo aquele que experimentar esta obra do novo nascimento, também será um instrumento para dar testemunho a outros. Este testemunho não é somente meu, mas de muitas pessoas que neste tempo presente, estão experimentando esta verdadeira libertação realizada por Jesus para a vida eterna. O que tem acontecido, é o cumprimento da promessa de Jesus que diz: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” João 8.36.

Isto também não é uma doutrina de alguma igreja em particular, nem de homem algum. Nem como já me disseram: uma linha de pensamento; mas o verdadeiro testemunho de Deus. Esta é a Palavra que vem salvando vidas hoje, e salvou a todos em todas as gerações passadas. A isto Deus nos ensina: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?” Números 23.19.

Os que são de Cristo, os verdadeiros filhos de Deus e nossos irmãos em Cristo, são todos aqueles que crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências, e pela fé na sua ressurreição juntamente com Cristo, nasceram de novo. Sem esta revelação verdadeira e necessária de fé, com certeza você estará entre aqueles a quem Jesus dirá claramente “Nunca vos conheci” Mateus 7.23.

3 – A libertação plena do pecado:

“Mas graças a Deus que, embora tendo sido

servos do pecado, obedecestes de coração à

forma de doutrina a que fostes entregues; e

libertos do pecado, fostes feitos servos da

justiça” Romanos 6.17-18.

Nesta passagem das Escrituras, o apóstolo Paulo fala daqueles que no passado foram escravos do pecado, mas agora conhecendo e crendo na verdade da sua morte e ressurreição juntamente com Cristo, obedecem de coração à doutrina, isto é, ao ensino desta verdade da Palavra de Deus, e a experimentam. Consideram-se mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Crêem que morreram com Cristo, portanto, estão vivendo com Cristo. Com isto, foram libertos do pecado, e estão servindo à justiça (Romanos 6.8-11).

Não queremos usar deste capítulo 6 do Livro de Romanos, para falar de impecabilidade, pois, impecabilidade seria uma justiça própria baseado na capacidade e no esforço do próprio homem de não pecar. Isto não, o que queremos através deste capítulo é falar da libertação que Deus nos traz pela vida de Cristo. Esta experiência não se trata do esforço do homem de não pecar, mas da libertação que Cristo dá do pecado. A diferença é que quando falamos de impecabilidade, estamos falando que a capacidade de não pecar está no homem. Já a libertação plena do pecado, que as Escrituras nos ensinam; o poder para esta libertação não está no homem, mas no poder da vida em Cristo Jesus que habita dentro daquele que nasceu do Espírito: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” Romanos 8.2.

Nisto consiste o grande milagre de Deus em nós. O pecado não mais tem domínio sobre aquele que nasceu de Deus; não porque ele tem algum poder próprio para vencê-lo, mas porque Aquele que venceu o pecado, o diabo, a morte, e todas as coisas, passa a viver dentro de nós, e Ele nos guarda do pecado e nos livra em todas as circunstâncias, pois, Deus nos diz: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca” I João 5.18. “sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?” Romanos 6.9-10, 1-2. Por isso é que em I João 3.9, a Palavra de Deus nos afirma que: “Aquele que é nascido de Deus não peca, porque a divina semente permanece nele, e não pode pecar porque é nascido de Deus”. A divina semente de Deus é Cristo.

Se você disser que é um pecador e vive pecando, a Bíblia fala a quem você pertence quando diz: “quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio” I João 3.8. Não se deixe enganar, pensando haver várias versões bíblicas. Toda a Palavra de Deus fala desta libertação. O nome Jesus significa libertador. Se alguém crê nEle, crê como seu libertador.

Por outro lado, ninguém poderia afirmar que é capaz por si mesmo de viver sem pecado, porque daí ele estaria afirmando uma capacidade própria de não pecar. O fariseu de Lucas 18.9-14, também confiava em si mesmo, e cria que era justo. Não é desta justiça própria que a Palavra fala. Quem promete esta libertação plena do pecado a nós é Deus, portanto, esta capacidade não está em nós, mas na Pessoa de Cristo que é a vida de todo aquele que nasceu de novo.

O testemunho de uma pessoa que verdadeiramente tem experimentado esta libertação, nunca será: “Eu não peco”, mas sempre: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Graças a Deus, que em Cristo, sempre me conduz em triunfo. O Filho é que me libertou, agora verdadeiramente sou livre. Tenho, porém este tesouro em vasos de barro, onde a excelência do poder é de Deus, e não da minha parte. Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive contudo pelo poder de Deus. Pois nós também somos fracos nele, mas viveremos com Ele, pelo poder de Deus que opera em nós. Ele me deu a vida eterna, e jamais perecerei, ninguém me arrebatará das suas mãos” (Filipenses 4.13; II Coríntios 2.14; João 8.36; II Coríntios 4.7, 13.4 e João 10.28).

Na lei de Moisés, o transgressor era morto sem misericórdia, isto é, não havia uma segunda chance; era sem apelação quando havia duas ou mais testemunhas de algum pecado. Nesta graça imensurável que Deus realizou por nós em Jesus, se alguém continuar vivendo no pecado depois de ter conhecido plenamente a verdade, já não resta mais perdão, reconciliação ou salvação a este pecador, mas somente a espera pelo juízo final e o fogo que há de devorar todos os adversários de Deus: “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas; de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” Hebreus 10.26-31.

Aqui Deus não fala do povo do mundo, mas daqueles que dizem ser o povo de Deus. O que separou o homem de Deus foi o pecado, a ponto de Deus lança-lo fora do Jardim do Éden, e cercar a árvore da vida para que o homem não tomasse dela e vivesse eternamente no pecado. Jesus é a árvore da vida, e Deus não deixaria que nenhum filho de Adão tomasse desta vida estando no pecado. Deus, confirmando o que vimos anteriormente, disse que “o homem tinha se tornado como um de nós conhecendo o bem e o mal” (Gênesis 3.22). Deus estava aqui dizendo que o homem se tornara como o diabo: rebelde e pecador.

No sacrifício de Jesus, ficamos livres do pecado e da sua condenação; podendo então na Sua ressurreição, receber desta vida, porque Deus não pode habitar com o mal: “Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal” Salmos 5.4. Todo aquele que vive na prática do pecado, nunca viu e nunca conheceu o Salvador Jesus (I João 3.6). Ele estará neste caso chamando Cristo de pecador caso professe que Cristo habita nele: “Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De modo nenhum” Gálatas 2.17. Existe uma palavra que é fiel na Bíblia; tudo que se possa dizer além dela é mentira: “Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele viveremos” II Timóteo 2.11.

Viver com Ele, é viver em santidade e justiça, e não no pecado: “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados; e nele não há pecado. Todo o que permanece nele não vive pecando; todo o que vive pecando não o viu nem o conhece” I João 3.5-6. “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca” I João 5.18. Se Cristo está em você, a Palavra de Deus afirma que o Maligno não pode te tocar, nem com o pecado, ou qualquer outra coisa. O pecado procede do diabo (I João 3.8), e foi com o pecado que o diabo tocou a criação de Deus. Deus não deixaria que ele tocasse de novo nesta nova criação com o pecado.

Se você é um incrédulo, já estará duvidando não é de agora, mas se você crê, poderá dizer: – Mas não podemos ser tentados? Sim, e o diabo o fará até o seu último “suspiro” nesta terra. Mas para isto, nós temos o socorro em Cristo e as promessas da parte de Deus que diz: “Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” I João 4.4. Se Jesus está em nós, Ele é, ou não é maior do que aquele que está no mundo? Seja a tentação, o mundo com as suas concupiscências e deleites, as enfermidades, a morte, ou qualquer outra coisa, a Palavra de Deus assegura-nos plena vitória em Cristo.

Ele ainda diz: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” Hebreus 4.15-16. “Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” Hebreus 2.18. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu; e, tendo sido aperfeiçoado, veio a ser autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” Hebreus 5.8-9. “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar” I Coríntios 10.13.

A nossa posição diante de tão fortes inimigos, deverá ser sempre esta: “Ó nosso Deus, não os julgarás? Porque nós não temos força para resistirmos a esta grande multidão que vem contra nós, nem sabemos o que havemos de fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti. Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados e vede o livramento que o Senhor vos concederá, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor está convosco” II Crônicas 20.12-17.

Se não puder crer nisto, você não será diferente do diabo e dos demônios. Creio que até pior, porque apesar de serem demônios, eles tremem diante deste grandioso Deus (Tiago 2.19). E você? Alguém para ser livre do pecado, tem que receber o socorro de Deus na tentação. É aqui que podemos julgar se a árvore é boa, ou se é má. Uma pessoa no pecado é dominada pela concupiscência do seu coração. Quando alguém nasce de novo, fica livre do corpo do pecado com as suas concupiscências. As tentações e o pecado, não mais estão dentro dele, mas do lado de fora: “pecado que tão de perto nos rodeia” Hebreus 12.1. “O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar” I Pedro 5.8.

É aqui que o socorro vem da parte de Jesus, pois a tentação e o pecado estão do lado de fora, e Cristo que é a nossa vida, está do lado de dentro. Nisto é que consiste a segurança de um verdadeiro crente espiritual, porque maior é Cristo que está nele, do que todo o pecado e o poder de Satanás com as suas tentações que estão no mundo: Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” Romanos 6.14.

Jesus já padeceu por nós na carne, como também já venceu o pecado. Devemos armar-nos também deste mesmo pensamento, para que, no tempo que nos resta na carne, não vivamos mais para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus (I Pedro 4.1-2). Quando o povo de Israel entrou na terra de Canaã, deixou ali alguns povos que Deus dissera que fossem destruídos completamente, e por isso, Deus resolveu usá-los a fim de exercitar aqueles que não tinham aprendido a guerra. Eles foram deixados não para que o povo de Israel fosse derrotado, mas para serem exercitados na vitória (Juizes 3.1-2).

Conosco não há diferença; o Senhor permite algumas investidas do inimigo sobre nós, não com o intuito de sermos derrotados, mas para sermos exercitados, disciplinados, ensinados e plenamente vitoriosos. O Senhor concede esta luta para que possamos experimentar com aqueles que são santos a vitória sobre Satanás: “E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte” Apocalipse 12.11. Estes são os vencedores que irão Reinar juntamente com Cristo. Aleluia! É do Senhor que vem o livramento, por isso, todo aquele que nasceu de novo, anda pela fé do Filho de Deus, que é a sua vida, e que o amou, e a si mesmo se entregou (Gálatas 2.20): “também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados” II Pedro 2.9.

4 – Cristo a nossa vida:

“Porque já estais mortos, e a vossa vida está

escondida com Cristo em Deus. Quando

Cristo que é a vossa vida se manifestar,

então vós vos manifestareis com Ele em

glória” Colossenses 3.3-4.

Pudemos ver anteriormente, que Deus fez uma obra completa de libertação por nós em Cristo Jesus, e não precisamos mais andar como escravos do pecado, nem mesmo sermos derrotados pelo diabo, mas livres para crescermos em santidade. Este é o ponto que queremos atentar neste capítulo. Apesar de estarmos em Cristo, Deus agora tem para nós uma vida cada vez maior de santidade. Esta santidade é para igualar-se a Sua Santidade, pois, Ele diz: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” I Pedro 1.15-16. Aqui Deus fala de ser santo em todo o nosso procedimento, e é aqui que resume toda a nossa necessidade como novas criaturas.

No novo nascimento, Deus muda nosso coração e nosso espírito, e coloca dentro em nós o Seu Espírito, e então nos faz andar nos seus estatutos, nas suas ordenanças e as observar (Ezequiel 36.26-27). Em Cristo, tudo se faz novo, e a partir da regeneração, passamos a andar em novidade de vida (II Coríntios 5.17; Romanos 6.4). Estamos livres do pecado, e apesar de sermos crianças em Cristo, estamos guardados por Deus, e podemos caminhar para a perfeição. A perfeição é o estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4.13). Para Deus não existe aperfeiçoamento no pecado. O pecador precisa ser feito santo pelo lavar da regeneração (Tito 3.5), para depois ser santificado.

Santificação é um santo ficar cada vez mais santo: “Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda” Apocalipse 22.11. O Santo é Jesus, e ficar cada vez mais santo é estar liberto por Ele do pecado, e ser transformado na Sua Imagem, pelo próprio Espírito de Cristo: “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” II Coríntios 3.7-8.

Quando Jesus fala em porfiar por entrar pela porta estreita; porque grande é a porta e largo é o caminho que conduz a perdição (Lucas 13.24), Ele está falando da nossa morte e ressurreição no seu corpo, pois, Ele é a porta (João 10.9). Depois de entrar por esta porta estreita que é Ele, há também um caminho estreito. Aqui Ele trata de um processo de santificação, sendo que o próprio caminho é Jesus: “e os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele (em Jesus); quando vos desviardes para a direita ou para a esquerda” Isaías 30.21. “E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele (tem que nascer de novo, senão não poderá passar por ele), mas será para os remidos (estes são aqueles que foram libertos do pecado e da sua escravidão). Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele (em Jesus) não errarão” Isaías 35.8. “Eu sou o caminho” João 14.6. “Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará. Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?” Lucas 9.23-25.

O único meio para esta vida de santidade é Jesus ser a sua vida. Quando Ele se manifesta, você se manifesta com Ele em glória (Colossenses 3.4): “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” I Coríntios 1.30. Por isso, a Palavra nos chama a atenção para a Sua Presença em nós. Quando há comunhão com a Sua Pessoa, isto nos torna perfeitos. Foi isto que Deus disse a Abraão em Gênesis 17.1: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e eu te farei  perfeito” Gênesis 17.1. É a operação da cruz sobre aquele que nasceu de novo, que leva-o a experimentar cada vez mais a santificação pela vida de Cristo: “trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos” II Coríntios 4.10.

Quando não conhecemos a Cristo como nossa vida, o nosso padrão de vida é a lei. Não faças isto, não toques naquilo, e faças isto. A lei é neste caso, um referencial do que é certo, ou do que é errado fazer. Em Cristo, não andamos mais pela lei, nem pelo que é certo ou errado, mas pela direção da vida de Cristo. Mesmo que conseguíssemos andar pela lei, isto não agradaria a Deus, porque Jesus diz: “Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” Mateus 5.20. Jesus nos mostra por esta passagem, que quanto à lei, os fariseus eram zelosos. Grande parte deles fazia o que era certo, mas mesmo assim estavam reprovados.

A vida de justiça que agrada a Deus deve exceder em muito o fazer o certo e deixar de fazer o errado. O que agrada a Deus é quando Jesus manifesta a sua vida em nós: “Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em nós o que perante ele é agradável, por meio de Jesus Cristo” Hebreus 13.20-21. Deus não pode aceitar as obras de justiça dos homens, muito menos se alguém o faz para a salvação ou santificação. Essas obras têm de vir por Jesus Cristo em nós.

A lei foi dada por causa dos transgressores, sendo um disciplinador até que a promessa, que era Jesus, viesse (Gálatas 3.19-24). A vida de Cristo em nós, leva-nos a uma vida celestial, não somente obedecer aos seus mandamentos, que passam a não ser penosos (I João 5.3), mas a viver em amor, excedendo toda a lei e todos os profetas: “que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus” Efésios 3.17-19.

A partir da regeneração, a comunhão com esta Pessoa de Jesus, passa a ser tão gloriosa, que cada dia em que vivemos aprendemos que a nossa vitória em todas as coisas, está na suficiência desta Pessoa de Jesus que habita em nós. A partir da experiência do apóstolo Paulo com esta vida, ele entendeu que toda a sua religiosidade, que antes era para ele um lucro, não passava de esterco. Não só a sua religiosidade, mas todas as coisas ele jogou fora, ficando com um só desejo: a excelência do conhecimento de Cristo Jesus nossa vida.

Ele disse: “Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” Filipenses 3.7-8. Isto foi o que Jesus nos ensina quando disse para Marta: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” Lucas 10.41-42. Maria escolheu ficar aos pés de Jesus e ouvir a Sua Palavra, isto nunca será tirado de alguém.

Uma vida consagrada a Deus, não é aquela que diz trabalhar para Jesus, nem aquela que procura agradar a Deus através de boas obras, nem aquele que aumenta os seus jejuns, orações e vigílias, mas aquele que crê: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gálatas 2.20. Não foi somente Paulo que foi crucificado com Cristo, mas todos (II Coríntios 5.14).

A pessoa que crê e confessa esta vida crucificada encontra a morte para o mundo: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” Gálatas 6.14. Encontra a morte para a lei: “Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus” Romanos 7.4. Encontra a morte para o pecado: “levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” I Pedro 2.24.

É pela fé na nossa morte com Ele, que experimentamos a nova vida da ressurreição, podendo agora, com Cristo vivendo em nós, termos uma vida consagrada a Deus: “agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis” Colossenses 1.22. Não é na cruz, mas é na Pessoa de Jesus crucificado e ressuscitado, onde fomos mortos e ressuscitados juntamente com Ele que temos a vitória.

Em João 15, Jesus compara esta experiência com a videira, quando diz: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” João 15.5. Ele é a videira, nós somos as varas. O tronco não precisa ser limpo, nem cortado, mas as varas é que precisam. Se alguém está em Cristo, ele já está limpo pela Palavra que lhe foi falada (João 15.3). A promessa é que Deus agora nos limpa ainda mais, para darmos muito mais fruto.

Deus é o viticultor, isto é, aquele que cuida da videira e das varas. Como nas varas de uma videira, corre a mesma vida da videira, da mesma maneira a vida de Cristo flui naqueles que nasceram de novo, produzindo o Seu fruto: “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” Gálatas 5.22-24. Este bom fruto só é possível dar se estivermos na árvore boa.

Aquele que está em Cristo, é uma nova criatura, é um novo homem, as coisas velhas já passaram, não existem mais, tudo agora é novo. Tudo o que diz respeito ao velho homem, não existe mais, está morto, deve ser despojado. Eis que tudo, absolutamente tudo se fez novo (II Coríntios 5.17). A velha criatura é o espelho de Adão, a nova criatura é o espelho de Cristo. Tudo o que é de Adão, ficou em Jesus naquela cruz. Ele foi o último Adão (I Coríntios 15.45). Agora tudo o que passamos a experimentar e conhecer pela nova vida são de Cristo, do novo homem (Efésios 2.15): “pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” Colossenses 3.9-10.

Todo aquele que nasceu do Espírito, anda assim, e não haverá mais condenação. Isto é o que a Palavra de Deus chama de andar no Espírito e não mais na carne: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” Romanos 8.1-2. Jesus é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Se Jesus é a sua vida, você já goza a libertação do pecado, e a cada dia está sendo transformado por Ele na Sua Imagem: “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” II Coríntios 3.17-18.

Você está dizendo amém ao que Deus está lhe mostrando pela Sua Palavra? Caso contrário diga: Senhor tem misericórdia de mim pecador. Não deixe que meu coração enganoso me leve à perdição eterna. Saiba que Deus resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde. Se esta não tem sido a sua fé e experiência, você não possui nada. Se Jesus não é a tua vida, tudo o que Deus fez desde o princípio da criação do mundo, o que Deus está fazendo, e ainda o que Deus tem preparado para os seus, você não será participante. Você não poderá gozar, pois, tudo Ele nos deu em Jesus: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo” Efésios 1.3-5.

Jesus é que estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e para Ele. Sem Ele, nada do foi feito se fez (João 1.2-3). Se Cristo não é a sua vida, então ainda você permanece na morte: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” I João 5.12. “Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” I João 5.20.

Você ainda poderá dizer: – Como poderei saber que Jesus é a minha vida? É muito simples. Se o pecado te domina, você ainda é um carnal, e só conhece a Jesus de ouvir falar: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?” Romanos 6.1-2. “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado” I João 1.4-6. Jó também era um crente carnal, e só conhecia Deus de ouvir falar. Mas ele recebeu esta graça, e pôde ver o Senhor, e conhecer a libertação que Ele proporciona (Jó 42.1-6).

5 – A perseverança dos santos:

“e farei com eles um pacto eterno de não me

desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu

temor no seu coração para que nunca se

apartem de mim” Jeremias 32.40.

Talvez fosse bom falar primeiro, o que significa perseverança. Perseverança é o ato de permanecer firme e constante, e jamais cair ou voltar atrás. Ou como usam as igrejas: desviar-se ou cair da fé. Quando alguém pensa que a perseverança está na sua própria capacidade, logo ele concluirá que é possível cair. Quando olhamos para a graça de Deus, ficamos tranquilos sabendo que jamais pereceremos. Somente Deus aqui tem o poder de manter em pé ou deixar cair. Em Cristo, estamos firmados na rocha: “Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar” Romanos 14.4.

A graça de Deus, como vimos nos capítulos anteriores, trouxe ao homem a justificação pelo sacrifício de Jesus: no Seu sangue, na Sua morte e na Sua ressurreição. Pela fé neste ato de justiça, é que encontramos a libertação do pecado e o seu perdão, bem como a santificação pela vida de Cristo em nós. Ele nos deu a redenção pela Pessoa de Cristo, e isto significa que estamos totalmente livres de tudo que nos escravizava, e também livres da culpa e da dívida. Uma vez redimidos, Deus nos ensina a permanecermos livres, e isto é que é perseverança. Perseverar livre para quem já foi escravo é todo o seu desejo: “Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão” Gálatas 5.1.

Como não poderia ser diferente, a graça de Deus vem também nos prover pela mesma vida de Cristo, a perseverança necessária: “tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” Filipenses 1.6. “E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também o fará” I Tessalonicenses 5.23-24. O medo da queda só está naqueles que nunca tiveram certeza da sua salvação.

Todo aquele que nasceu de novo, e conhece o Todo-Poderoso, que é a sua vida, não teme cair da graça. Ele sabe que está habitando no esconderijo do Altíssimo, e na sombra do Todo-Onipotente, descansa: “Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre. Como estão os montes ao redor de Jerusalém, assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre. Porque o cetro da impiedade não repousará sobre a sorte dos justos, para que os justos não estendam as suas mãos para cometer a iniquidade” Salmos 125.1-3.

O cetro de um rei é o símbolo da sua soberania, e do seu governo. Aqui, Deus promete-nos pela Sua Palavra que ao dar-nos Sua vida, Ele nos torna seu reino (Apocalipse 1.6). Passamos a estar sob o seu governo e sob o Seu Reino de Santidade. O reinado do diabo e do pecado, passa a não mais ter domínio sobre todos aqueles que nasceram de novo. Poderíamos somente com este versículo da Escritura, saber que os filhos de Deus, estão guardados por Ele por toda a eternidade, mesmo estando neste mundo, mas Ele ainda diz: “Mas Israel ( aqui é o Israel de Deus) será salvo pelo Senhor, com uma salvação eterna; pelo que não sereis jamais envergonhados nem confundidos em toda a eternidade” Isaías 45.17. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo” I Pedro 1.3-5. Quem foi regenerado pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, é guardado pelo poder de Deus, e assim persevera até o último dia.

Em nenhum lugar, a Palavra de Deus diz que esta perseverança é sustentada por algum santo (santo significa aquele que pelo novo nascimento, foi separado por Deus para ser dEle), mas toda ela revela-nos a suficiência nas promessas e no poder de Deus: “Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que te tenho falado” Gênesis 28.15. Você crê nisto? 

Talvez você ainda pergunte: – E o diabo, e os seus dardos inflamados? E as hostes espirituais da maldade? E os dias que são maus? E o mundo e as suas tentações? Deixe de olhar para as suas fraquezas, e olhe para a armadura que Deus nos deixou em suas promessas. Deixe de questionar e creia no que Deus diz: “Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos” Efésios 6.13-18.

Jesus disse: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” João 11.40. Todo justo viverá pela fé. Não estou ignorando todas estas coisas, mas o Senhor nunca nos deixará desamparados. O justo viverá da fé, e fé é firmeza no que Deus diz e não no que é aparente. Em todas estas coisas, somos mais do que vencedores por aquele que nos amou (Romanos 8.37).

Qualquer pessoa que nasceu de novo, sabe que não poderá enfrentar os poderes desses inimigos por sua própria força. Tanto é assim, que Deus nos guarda pelo seu poder. Reconhecemos que somos fracos, mas é nesta fraqueza que o poder de Deus se aperfeiçoa. Quando o apóstolo Paulo recebeu aquele espinho na carne (muitas controvérsias tem-se quanto ao que seja este espinho na carne, mas o próprio apóstolo nos esclarece no v.7, quando diz: “a saber”. Ele ali fala que este espinho na carne, era um mensageiro de Satanás que o esbofeteava, para que ele não se exaltasse pela excelência das revelações que Deus lhe dava), ele pôde então compreender que o poder de Deus, se aperfeiçoa na fraqueza:  “e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo” II Coríntios 12.9. Se é pelo nosso poder não necessitaríamos do poder de Deus.

A perseverança de um santo não está garantida apenas pelo poder de Deus (se é que podemos falar apenas), mas também pelo seu amor: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, e havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” João 13.1. Este amor não é um amor temporário, mas permanente e eterno. Aquele que tem manifestado este amor mostra-nos que este amor já existia antes da fundação do mundo, como também, que jamais acabará: “De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí” Jeremias 31.3. “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,  e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” Efésios 1.4-5. “As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios afogá-lo. Se alguém oferecesse todos os bens de sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” Cântico dos cânticos 8.7.

Deus conhece a nossa fraqueza, Ele sabe que somos pó; que somos como uma erva que nasce e logo perece, e que valemos menos que um sopro. Mas o seu amor por nós, faz de Deus a nossa rocha e a nossa esperança: “Somente em Deus espera silenciosa a minha alma; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é ele a minha fortaleza; não serei grandemente abalado” Salmos 62.1-2. Este Seu amor por nós, faz com que Ele seja o guarda das nossas vidas, tornando-se assim, inimigo dos nossos inimigos: “Mas se, na verdade, ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, então serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários” Êxodo 23.22. “O Senhor entregará, feridos diante de ti, os teus inimigos que se levantarem contra ti; por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão da tua presença” Deuteronômio 28.7.

Você pode crer neste Deus que não pode mentir? Ele está dizendo-lhe: Se o seu poder e o seu amor não te guardar, você não poderá viver em pé, nem um dia sequer, diante de todos esses inimigos. Creio que se procurarmos na Bíblia, cada dia, uma promessa para esta perseverança, encontraremos sempre à Sua voz dizendo: “Não temas”. Ele promete em Sua Palavra nunca nos deixar e nunca nos desamparar.

Uma vez que somos guardados e separados por sua graça desde o ventre de nossa mãe, o Todo-Poderoso continuará a nos guardar até o dia de Cristo: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei” Jeremias 1.5. “Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra” Apocalipse 3.10. “Até a vossa velhice eu sou o mesmo, e ainda até as cãs eu vos carregarei; eu vos criei, e vos levarei; sim, eu vos carregarei e vos livrarei” Isaías 46.4.

Além do poder e do amor de Deus, encontramos também nas Escrituras, mais um atributo de Deus que traz a garantia da perseverança de alguém que nasceu de novo: a Sua Fidelidade. A fidelidade de Deus não deixará que Deus minta, porque senão Ele seria derrotado pelo diabo, pois, este é que é o pai da mentira. Talvez seja difícil para nós sabermos o que seja fidelidade em nossos dias. Nem encontramos mais os contratos feitos apenas por palavras. Hoje, mesmo com os contratos escritos, não são cumpridos, quanto mais os prometidos por boca. O homem é infiel nos contratos, mas Deus não. Quantas vezes você não prometeu a Deus muitas coisas, e quantas vezes não se mostrou infiel não cumprindo-as. Caso sejamos infiéis, Ele permanece fiel. Deus é perfeito em todo o seu ser, e fiel em todas as suas promessas.

A fidelidade de Deus faz parte da Sua divindade, portanto, a Sua fidelidade faz com que cada promessa que Ele tenha feito a nós, seja cumprida totalmente, uma por uma: “se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo” II Timóteo 2.13. “Pois quê? Se alguns foram infiéis, porventura a sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? De modo nenhum; antes seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado” Romanos 3.3-4.

Deus é fiel, a sua saída como a alva é certa. Nem um j ou um til cairá da Sua Palavra sem que tudo se cumpra, porque Ele mesmo vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jeremias 1.12). Tudo o que Deus prometeu, Ele cumprirá, nenhuma de Suas Palavras cairá por terra: “Ó Senhor, Deus dos exércitos, quem é poderoso como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti? Os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a tua fidelidade na assembléia dos santos” Salmos 89.8, 5. “Eis que vou hoje pelo caminho de toda a terra; e vós sabeis em vossos corações e em vossas almas que não tem falhado uma só palavra de todas as boas coisas que a vosso respeito falou o Senhor vosso Deus; nenhuma delas falhou, mas todas se cumpriram” Josué 23.14.

A fidelidade de Deus é mais uma segurança real do crente espiritual para a sua perseverança. É através dela que encontramos uma âncora segura e firme. Num grande navio, é a âncora que o mantém fixo sobre as águas. Nesta nova vida, a garantia desta estabilidade, firmeza e segurança na perseverança, também está na Fidelidade de Deus: “assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento; para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta; a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu” Hebreus 6.17-19.

A outra segurança que podemos encontrar nas suas promessas, para a garantia da nossa perseverança, é a aliança que Deus fez com o noivo Jesus. Se a garantia desta vida eterna estivesse na nossa própria perseverança, já estaríamos reprovados em Adão. Foi pela obediência de Jesus, e as firmes promessas de Deus feitas a Ele, é que a sua noiva, que é a Sua Igreja, será guardada virgem e imaculada (II Coríntios 11.2), para o dia das bodas: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. O Senhor enviará de Sião o cetro do teu poder. Domina no meio dos teus inimigos. O teu povo apresentar-se-á voluntariamente no dia do teu poder, em trajes santos (veja aqui qual será o traje festivo, o vestido da noiva); como vindo do próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade. Jurou o Senhor, e não se arrependerá (Ele é fiel): Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” Salmos 110.1-4.

Se você não creu no que vimos na Palavra de Deus nos capítulos anteriores deste livro, nunca você poderá crer nesta perseverança. Mas se o Senhor pela Sua misericórdia e graça, tem-lhe feito crer na Sua Palavra, você jamais duvidará que esta perseverança está garantida por Ele, e pelo Espírito de Cristo que vive em nós. Como os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus, e este Espírito foi enviado para nos guiar a toda a verdade, cada dia que passa a segurança e a confiança neste Seu poder, no Seu amor, na Sua fidelidade, e nas Suas promessas feitas a Jesus, tornam-se um motivo de louvor e confissão, pois, assim nos ensina as Escrituras quando diz: “retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa” Hebreus 10.23. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” Efésios 4.30.

Um crente espiritual persevera porque Deus mudou o seu coração, deu-lhe um só caminho, e ainda colocou dentre dele o Espírito de Cristo para o guardar de tropeçar (Judas 24). Também Deus colocou neste coração novo, o Seu temor, para que nunca se apartem dEle: “… e farei com eles um pacto eterno de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” Jeremias 32.40. A Palavra também é impressa no coração e no entendimento de todo aquele que nasceu de novo (Hebreus 8.10). O crente espiritual não tem desejo de pecar contra Deus, porque a divina semente que é Jesus permanece nEle (I João 3.9). “Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti” Salmos 119.11.

Um crente espiritual, livre do poder do pecado, se torna um servo da justiça. Este novo coração, e a vida santa do Filho de Deus nele fazem que tenha nojo da sua vida passada no pecado: “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis…  Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos feitos, que não foram bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas iniqüidades e das vossas abominações” Jeremias 36.31. Agora o seu desejo é só o conhecimento de Cristo e a sua santificação: “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça… Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” Romanos 6.22.

O temor que Ele coloca no crente espiritual, é para que ele nunca se desvie dEle, como diz o versículo de Jeremias 32.40. É este temor, que passa a produzir no crente espiritual, desejo de obediência a Deus, e o ódio por todo o mal: “O temor do Senhor é odiar o mal; a soberba, e a arrogância, e o mau caminho, e a boca perversa, eu os odeio” Provérbios 8.13, como também ter nojo e vergonha do pecado: “Porque eu estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o SENHOR; para que te lembres disso, e te envergonhes, e nunca mais abras a tua boca, por causa da tua vergonha, quando eu te expiar de tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus” Ezequiel 16.62-63. O temor do Senhor, também traz ao crente espiritual, a confiança plena nEle: “No dia em que eu temer, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu louvo, em Deus ponho a minha confiança e não terei medo” Salmos 56.3-4.

A carne não tem mais poder sobre aquele que está revestido de Cristo. A confiança passa a ser tal, que o crente espiritual não cuida mais da carne com as suas paixões e concupiscências: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” Romanos 13.14, porque sabe que ela está crucificada com Cristo. O desejo de todo crente espiritual, é o de crescer na graça e no conhecimento de Cristo: “… e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” Colossenses 3.10.

Este temor que é derramado por Deus no coração do crente espiritual, além de trazer-lhe confiança, passa a ser também fonte de vida, desviando-o totalmente do mal: “No temor do Senhor há firme confiança; e os seus filhos terão um lugar de refúgio. O temor do Senhor é uma fonte de vida, para o homem se desviar dos laços da morte” Provérbios 14.26-27. Este temor é do Senhor, e é colocado neste novo coração como uma suficiência de Deus a fim de perseverarmos. Mais uma vez podemos ver que tudo é por graça de Deus, até mesmo o perseverar.

Quando o Senhor torna-se o nosso refúgio, e o Altíssimo a nossa habitação, com toda a certeza, não cairemos no laço do passarinheiro e na peste perniciosa, porque Ele nos cobre com as suas asas, e a Sua verdade, passa a ser para nós um escudo e broquel. Nem os terrores da noite, nem as setas que voam de dia, nem mesmo a mortandade que assola ao meio-dia poderão mais nos amedrontar (Salmos 91.1-9). Certamente que a bondade e a misericórdia do Senhor nos seguirão todos os dias da nossa vida, e habitaremos na casa do Senhor por longos dias (Salmos 23.5).

Se você duvida, é certo que não receberá do Senhor coisa alguma (Tiago 1.7). Para o que crê, Deus continua a mostrar as suas promessas para esta perseverança necessária quando diz: “… tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” Filipenses 1.6. “E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer” I Pedro 5.10. “… o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” I Coríntios 1.8-9.

Jesus ainda nos traz mais segurança e confiança quando diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um” João 10.27-30. Na boca de Jesus, a palavra “jamais” tem o sentido de eternidade, isto é, uma vez nascidos de novo, não perecerão eternamente.

Os crentes espirituais foram salvos pela graça de Deus, e estão sendo sustentados pela mesma graça. Confiam que a mesma graça os levará são e salvos deste mundo, para o novo céu e a nova terra. Felizes, crêem que nada, absolutamente nada, poderá separar-lhes do amor de Deus que está em Cristo Jesus o Senhor. Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra coisa poderá lhes separar deste amor (Romanos 8.38-39). Ele novamente nos lembra: “Mas Israel será salvo pelo Senhor, com uma salvação eterna; pelo que não sereis jamais envergonhados nem confundidos em toda a eternidade” Isaías 45.17. “Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna” Isaías 26.4. Quem nele crê não será confundido (Romanos 10.11).

Para o ímpio o Senhor diz: não há paz. Mas esta obra de justiça que Deus realizou por nós na Pessoa do Senhor Jesus Cristo é paz. O efeito desta justiça de Deus é sossego e segurança para sempre. A partir do novo nascimento, o crente espiritual passa a não mais ter dúvidas, porque sabe que as promessas foram feitas a Jesus que é o noivo, como também que serão guardados pelo amor, pelo poder, pela fidelidade e pelo temor que Deus derramou abundantemente em seus corações: “O meu povo habitará em morada de paz, em moradas bem seguras, e em lugares quietos de descanso” Isaías 32.17-18. “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna. Porque ele tem derrubado os que habitam no alto, na cidade elevada; abate-a, abate-a até o chão; e a reduz até o pó. Pisam-na os pés, os pés dos pobres, e os passos dos necessitados. O caminho do justo é plano; tu, que és reto, nivelas a sua vereda” Isaías 26.3-7. “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” Isaías 41.10.

CONCLUSÃO

“Perguntaram-lhe, pois: Que havemos

 de fazer para praticarmos as obras de Deus?

Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta:

Que creiais naquele que ele enviou” João 6.28-29.

Chegamos ao final deste pequeno livro, sabendo que só conseguimos falar uma pequena parcela desta grandiosa obra que Deus, realizada em Jesus Cristo. Conhecimento de Deus é vida eterna, e isso, não poderíamos descrever na sua plenitude neste pequeno espaço (João 17.3). Se todas as coisas que Deus fez em Jesus, fossem escritas nos livros, creio que nem ainda no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem (João 21.25). A Palavra de Deus foi escrita para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus; Aquele que nos atraiu para o seu corpo, fazendo-nos morrer juntamente com Ele, crucificando assim o nosso velho homem, para que o corpo do pecado fosse destruído, a fim de não servirmos mais ao pecado como escravos. Nele, recebemos a vida eterna quando Deus ressuscitou-o dos mortos, e ressuscitou-nos juntamente com Ele, para que agora, Cristo sendo a nossa vida, pudéssemos perseverar até o fim, e, assim, desfrutarmos a vida eterna em Seu Nome.

Se você é um carnal, até quando você vai continuar como está e entrar na segunda morte? Diante de tudo isto, só existem duas posições: ou você continua a viver na hipocrisia, enganando os homens e a si mesmo, sabendo que não poderá enganar a Deus, ou dizer: – Miserável homem que eu sou. Senhor tem misericórdia de mim.

Até quando você coxeará por dois pensamentos? A tua religião te dará segurança por toda a eternidade? Ninguém poderá te dar melhor testemunho desta perdição, do aquele rico quando disse: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento” Lucas 16.27-28. Talvez muitos dos que já estão lá, porque não creram, estejam fazendo o mesmo clamor a Deus por sua vida.

Será que você ainda ficará discutindo como fez Naamã, sobre banhar-se no Rio Jordão. Parecia uma coisa bem ridícula, pois em Damasco havia muitos rios, e bem maiores que o Jordão. A diferença, é que foi um homem de Deus que lhe disse tudo aquilo. Quando Naamã creu, ficou inteiramente curado. Espero em Deus que não tenha deixado você como o Rei Agripa, somente “quase persuadido”. Você está perdido se só chegou a esta condição de quase persuadido, porque queremos que você se torne tal qual o apóstolo Paulo e a nós: “Crucificado com Cristo, e Cristo vivendo em você” (Atos 26.29; Gálatas 2.20).

Deus coloca os céus e a terra como testemunhos diante de ti, porque Ele está lhe oferecendo a vida e a benção: “eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” II Coríntios 6.2. “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” Hebreus 3.8. A espada vem, Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias. Se você não se arrepender, Ele afiará a sua espada, para lhe dar a recompensa segundo as suas obras.

Cri, por isso falei, nós cremos, por isso é que também estamos falando. Nossa função é tocar a trombeta como um atalaia de Deus. Você já está avisado. Quando a espada vier e você for levado na sua iniquidade, Deus não requererá de mim a sua alma. Se você não se der por avisado, o seu sangue será sobre a sua cabeça. Se porém, se der por avisado, receberá salvação para a sua vida (Ezequiel 33.4-7).

O Senhor ainda lhe diz: Eu, o Senhor, o disse: será assim, e o farei; não tornarei atrás, e não pouparei, nem me arrependerei; conforme os teus caminhos, e conforme os teus feitos, te julgarei, diz o Senhor Deus” Ezequiel 24.14. E ainda: “e aconteça que alguém, ouvindo as palavras deste juramento, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande na teimosia do meu coração para acrescentar à sede a bebedeira. O Senhor não lhe quererá perdoar, pelo contrário fumegará contra esse homem a ira do Senhor, e o seu zelo, e toda maldição escrita neste livro pousará sobre ele, e o Senhor lhe apagará o nome de debaixo do céu” Deuteronômio 29.19-20.

Ninguém pode dizer que é um crente, crendo parcialmente na Palavra de Deus. O que se espera de alguém que se diz crente, é pelo menos crer na Palavra de Deus. Creia na Palavra como ela está escrita. Se você o fizer, Jesus disse que do seu interior correrão rios de água viva (João 7.38). Creia no Seu amor, na Sua graça, na Sua fidelidade, nas Suas promessas, e no Seu poder, pois Ele mesmo diz: “Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma” Hebreus 10.38-39. Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo, por isso, Ele ainda lhe fala: “Irei, e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles aflitos, ansiosamente me buscarão” Oséias 5.15.

Se você tem sede, vá a ele e beba de graça da fonte da água da vida. Deixe a sua insensatez e viva. Vá a Ele, você que está cansado e oprimido, que Ele te aliviará. Tome o Seu jugo, aprenda dEle, porque Ele é manso e humilde de coração, e você achará descanso para a sua alma. Porque o seu jugo é suave, e o Seu fardo verdadeiramente é leve. Deus tem estendido as Suas mãos todos os dias, apesar de você ser rebelde e contradizente. As Suas mãos não estão encolhidas para que não possa salvar. Nem os seus ouvidos tapados para que não possa ouvir.

Se você tem sede, creia e beba da fonte da água da vida. Se você não tem como pagar a sua dívida, e não pode porque é caríssima, creia e participe da grande ceia, receba, pois é de graça. Incline os seus ouvidos, e ouça a Ele; atente à Sua voz e a tua alma viverá, porque Ele fará contigo um pacto perpétuo, dando-lhe as firmes beneficências prometidas a Davi. Deixe o seu caminho ímpio, os seus malignos pensamentos, e volte-se para o Senhor, que se compadecerá de ti; volte-se para o seu Deus, porque é riquíssimo em perdoar. Busque o Senhor enquanto se pode achar, invoque-o enquanto está perto.

Venha, as prisões estão abertas, as cadeias quebradas, as trevas dissipadas, o pecado destruído, o diabo vencido, e a morte derrotada. Jesus reina assentado à direita de Deus Pai; muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. Todas as coisas estão sendo sujeitas debaixo dos seus pés. Ele é o Senhor dos senhores, o Rei dos reis. Todo aquele que O receber, ser-lhe-á dado o poder de tornar-se filho de Deus, aos que crêem no Seu Nome. Aquele que não nasceu do sangue, nem da vontade da carne, nem da decisão do homem, mas de Deus. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Se não prevaleceram, isto significa que ela continua brilhando, e brilhará pela eternidade. As trevas não prevalecerão jamais. Deus seja louvado!

O pão já está lançado sobre as águas, e espero em Deus que depois de muitos dias o acharei, mas todo o louvor e toda a glória sejam dados ao Senhor. Nós não temos capacidade nem de pensar alguma coisa como de nós mesmos. Se você considera o testemunho dos homens verdadeiro, o testemunho de Deus é maior. Seja antes todo homem mentiroso e Deus verdadeiro como está escrito. Saiba também que ainda que alguns foram infiéis, Deus permanece fiel. A menos que você queira perecer eternamente, dê ouvidos ao último clamor da Sua misericórdia: “Eu sou o Deus que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da cova, que te coroa de benignidade e de misericórdia, que te supre de todo o bem”  Salmos 103.4. Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. Quem é de Deus, ouve as Palavras de Deus. Jesus diz: “Eu sou o que testifico estas coisas” .

ORAÇÃO FINAL

Pai, eu sei que não depende de quem quer, nem de quem corre, mas do Senhor de usar da Sua misericórdia. O ouvido que ouve, e o olho que vê, ambos vem do Senhor. Estou aqui para promover a fé que é dos eleitos de Deus, no pleno conhecimento da verdade, e na esperança da vida eterna, a qual o Senhor, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos, e neste tempo próprio, por tua misericórdia, manifeste a Tua Palavra.

Sou apenas teu despenseiro, teu embaixador. Abre-lhes o coração para que atentem para o que estamos apresentando, como fizeste com os apóstolos. Derrama-lhes o Espírito de graça e de súplica, para que olhem para Aquele a quem traspassaram. Abre-lhes a fonte das águas da salvação, para que os seus pecados sejam removidos, e toda impureza seja desarraigada dessas vidas, e que com alegria tirem águas da fonte da salvação. Ainda que não possa estar com esses leitores, envia-lhes um filho teu, para que pregue e confirme a Tua Palavra, como o Senhor fez com Filipe e aquele eunuco, pois como eles poderão entender?

Manifesta-te aos teus, como fizeste a Samuel, pela Tua Palavra. O Senhor tem aberto a madre e tem feito nascer, e o Senhor prometeu não fechá-la. Mostre neste século a suprema riqueza da Tua Graça, a Tua Bondade para com eles em Cristo Jesus. Ainda que seja povo de dura cerviz, não os trate segundo os seus pecados, mas segundo a multidão das Tuas misericórdias. Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, use esse material, como um instrumento para que a tua herança alcance a Tua Graça.

Oh! Senhor Jesus, o Senhor viu a sua posteridade, levou o pecado deles, e viu o fruto do Seu trabalho e ficou satisfeito. Agora complete a Sua obra, trazendo à Sua alma satisfação. Deixe as noventa e nove e busque esta que está perdida. O Senhor pode salvar totalmente aqueles que se chegam a ti, porque o Senhor vive por interceder por eles. Nenhum daqueles que o Pai lhe deu será perdido, e todo que vem a ti, de maneira nenhuma o lançará fora.

Oh! Espírito Santo, Consolador fiel, glorifique a Jesus, pois, esta é a sua obra. Venha dos quatro ventos e assopra sobre esses mortos para que vivam. Entre neles e os faça saber as Palavras de Deus. Faça-os compreender as coisas que lhes foram dadas gratuitamente por Deus. Ensine a eles todas as coisas e os faça lembrar de tudo o que o Senhor Jesus disse. Guie-os a toda verdade. Que a tua lei, Oh! Espírito da vida em Cristo Jesus, os livre da lei do pecado e da morte.

Pai, não sei orar como convém, mas o Espírito me ajuda na fraqueza. Tu que esquadrinhas o coração, sabe qual é a intenção do Espírito, que Ele, segundo a Sua vontade, intercede por nós. Atente para a oração de Jesus que está assentado à Sua Direita; por todos aqueles que lhe deste. Tenho feito tudo no Nome de Jesus, dando por Ele graças a Ti, ó meu Deus e meu Pai. Tenho feito tudo pelo Teu poder, pois conheço a minha estrutura, e reconheço que sou pó. No Teu poder, e no poder da Tua Palavra, creio que toda esta obra, que foi feita no Senhor, não será vã. Seja sobre nós a Tua graça Senhor, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos. No Nome de Jesus, para a Tua Glória. O Senhor é o nosso louvor, eternamente. Amém.

Edward Burke Junior

Londrina – PR

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