“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,
temos comunhão uns com os outros…”.
I João 1.7.
O apóstolo João nesta carta nos traz um ensino muito necessário para a nossa carreira cristão. Nós nascemos de novo, fomos perdoados pelo seu sangue. Fomos justificados pela sua morte e ressurreição. Agora pela fé, fomos feitos justos. Não somos mais chamados por Deus de pecadores, mas santos, inculpáveis e irrepreensíveis (Col 1.22). Santos, justos, mas ainda não chegamos à perfeição. Santos que ainda pecam.
Se a regeneração nos levasse de imediato à perfeição, não necessitaríamos de santificação. O que é santo, santifique-se ainda nos ensino o Senhor (Apoc 22.11). A santificação não é possível alcançar andando só. Um cristão que anda só não pode crescer em santificação, porque grande parte dela é feita na comunhão.
Mas neste texto de I João 1, no verso 7, a comunhão ali descrita não se refere aos irmãos como muitos interpretam, mas a comunhão que João fala neste capítulo, com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo. Ele diz nos versos anteriores: “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: Que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade”.
Então, como podemos manter a comunhão com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo uma vez que pecamos? O verso 9 nos ensina: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. Como também o verso 1 e 2, do capítulo 2 que diz: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”.
Se houver algum pecado não podemos dizer que temos comunhão com Deus, porque Deus é luz e nEle não há trevas nenhuma. Comunhão é um laço de vida, uma vida em comum. Deus não pode ter uma vida em comum conosco uma vez que pecamos. Então como restaurar essa comunhão? Clamando ao nosso Advogado, que é a propiciação pelos nossos pecados, e por Cristo, por seu sangue derramado na cruz buscamos o perdão de Deus.
Aí você entenderá o texto, porque nessa comunhão com o Pai e com o Filho buscando o perdão, Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda a injustiça. E através do que nos perdoa e purifica? Pelo Sangue de Cristo. Aí se completa o texto de João que disse: “Mas, se andarmos na luz (confessando as nossas culpas), como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros (vida em comum com o Pai e com o Filho através do Espírito Santo), e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.
Como é isto? João nos ensina nesta primeira carta, no verso 3, que a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. Esta é a comunhão necessária, mas no verso 4 ele nos diz que ela se completa na comunhão de uns com os outros, isto é, com a Igreja do Senhor.
No verso 5 ele nos anuncia que Deus é plena luz. Não há nEle nada que seja obscuro, nada que fique encoberto na sua presença. Todas as coisas estão nuas e patentes perante Ele (Hebreus 4.13). No verso 6 nos mostra qual o caminho, e no verso 9 como restauramos essa comunhão pela quebra que acontece através do pecado: Se arrependendo e confessando.
Nós não podemos discernir os nossos próprios erros, nem julgar a nós mesmos. Caso fizéssemos isto, não seríamos julgados (I Cor 10.31-32). Somente a luz da comunhão pode fazer isto, e é nesta comunhão com o Pai e o Filho pelo Espírito. Ele mesmo é que acende as nossas lâmpadas e ilumina as nossas trevas (Salmos 18.28), então vem o poder do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo que vem nos purificar, nos limpar de todo pecado.
O pecado nos afasta de Deus e automaticamente da comunhão, e o Senhor não deseja que andemos assim. É andando na luz, e tendo comunhão com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo e pela comunhão no sangue que os nossos pecados são trazidos à luz e são purificados, porque aquele que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas aquele que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Pv. 28.13). Como necessitamos da luz, e do sangue do nosso Senhor! Amém.