A PIOR CEGUEIRA
"Pois aquele em quem não há estas coisas é cego,…".
II Pedro 1.9.
Nós pensamos que a cegueira e a surdez espiritual são somente do homem ímpio, daquele que está separado da vida de Deus, mas a pior cegueira e surdez é a nossa, daqueles que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, quando damos de ombros ao Espírito Santo: "Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações…" Hebreus 3.7-8.
Nascemos de novo para vermos o Reino de Deus, e nascemos do Espírito para entrarmos neste Reino (João 3.3-5). Os nossos olhos foram abertos para vermos a Cristo, e o seu reino em nós, porque fomos feitos por Jesus, reino e sacerdotes para Deus (Apoc. 1.6).
Mas como aconteceu com aquele cego de Betsaida, nós a principio não enxergarmos claramente as coisas de Deus (Mc. 8.22-25). Os olhos do entendimento ainda devem ser abertos para não só enxergarmos a nossa redenção, mas também qual a esperança do nosso chamamento, e quais as riquezas da nossa herança nos santos, e qual a sobreexcelente grandeza do seu poder para conosco os que cremos (Efésios 1.18-19).
Por isso é necessário que o milagre continue, para que possamos enxergar totalmente. É necessário tornarmo-nos frutíferos no conhecimento de Cristo. Para isto temos que acrescentar a nossa fé a virtude.
A fé sem obras é morta, mas a fé operosa, a fé que é do Filho de Deus, opera em nós o que perante Deus é agradável por meio de Jesus Cristo (Hebreus 13.21).
Não são somente obras, mas obras de fé. Por isso Pedro continua em sua segunda carta, capítulo 1, nos versos 5 a 7, dizendo: "acrescentai… à virtude o conhecimento". A virtude é a ação da Pessoa de Cristo em nós operada pela fé, e esta virtude traz conhecimento dEle.
E Pedro continua ensinando que em Seu conhecimento gozamos do seu fruto, do fruto do Espírito que é: domínio próprio, longanimidade, piedade, fraternidade e por fim o amor, o vínculo da perfeição, a essência de Deus.
Havendo e abundando em nós essas coisas, não ficaremos ociosos nem infrutíferos no pleno conhecimento (notem que é "no pleno" não apenas aquele conhecimento primário, da nossa redenção) de nosso Senhor Jesus Cristo.
Aí o Espírito continua nos ensinando pelo apóstolo Pedro que em quem não há estas coisas, em quem o conhecimento de Cristo não é contínuo e abundante é "cego", vendo somente o que está perto, esquecendo-se até da purificação dos seus antigos pecados (v.9).
Aqui não se trata de velha criatura, mas de um santo. Esta palavra é de exortação aos santos que foram regenerados. São filhos de Deus que tiveram os seus pecados perdoados e que foram purificados, mas por não crescerem no conhecimento de Cristo, por estarem infrutíferos nEle, se esqueceram até da sua redenção.
Estes, apesar de terem olhos para ver, são chamados de cegos, e infrutíferos. E se torna pior ainda quando em sua cegueira, querem guiar outros; ambos cairão no buraco como disse Jesus.
Por isso não necessitamos apenas de visão, mas de Vida. Não necessitamos somente que os nossos olhos sejam abertos, mas que nos faça ver claramente que nEle esta a Vida e a Vida é a luz dos homens (João 1.4). Não é a luz que manifesta a Vida, mas a Vida que manifesta a luz.
Só podemos ser luz se a vida do nosso Senhor for abundante em nós. E só pode ser abundante se tomarmos a nossa cruz e o seguirmos, seguir crescendo em seu conhecimento.
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