Dia 07 de junho
Os Atributos de Deus – Parte XXXI
“Eu sou o Deus Todo-Poderoso…”.
Gênesis 17.1.
A SOBERANIA DE DEUS VI – NA SALVAÇÃO DO HOMEM I
Soberano é aquele que tem poder supremo, e exerce um governo próprio sem restrição nem neutralidade. Quem está governando neste exato momento os céus e a terra? Se nos voltarmos para os céus, vamos responder que é Deus, mas quando pensamos na terra, mostramos muitas vezes pelas nossas atitudes que duvidamos que Deus reine sobre tudo, sem que ninguém possa restringir nem neutralizar seu governo.
Até este ponto que estudamos, ninguém duvida da Soberania de Deus. Os atributos de Deus são estudados em todas as igrejas, é anunciada nos púlpitos, ensinada nos seminários, escritas em livros, mas quando se chega à Soberania de Deus na salvação do homem, aí há muita confusão, principalmente extremismos, tanto para a salvação de Deus sem o homem, como vice-versa.
A cristandade principalmente se dividiu em dois grupos: os calvinistas que crê que a salvação é obra pura da soberania de Deus sem o homem, e o arminianismo que joga toda responsabilidade no homem da salvação e consequentemente pela preservação dela. Os extremos nunca são bíblicos. Mas pacificar esses dois lados é impossível, mas quando examinamos as Escrituras vemos em todo o tempo ambos agindo em harmonia. Deus é 100% soberano, e o homem é 100% responsável.
A Sua Soberania é aceita em tudo, no céu, na terra, sobre a sua criação, mas não na salvação do homem Deus proveu para o homem todas as coisas, e o deu por graça. A salvação é pura graça de Deus e o homem não pode fazer nada a este respeito. É verdade que o homem caído é morto em sua totalidade. Que ele não pode buscar a Deus, nem mesmo entender as coisas de Deus, mas uma coisa que Deus preservou no homem caído é a sua consciência.
Veja que Paulo fala isso em Romanos 2, nos versos 14 e 15 quando diz: “(porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora não tendo lei, para si mesmos são lei. Pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os)”. Ainda que todos se extraviaram e se fizeram inúteis. Ninguém que entenda, e ninguém que busque a Deus, a árvore do conhecimento do bem e do mal deu ao homem essa consciência, ainda que ele por si não consiga fazer o bem que quer.
A salvação do homem é uma questão da justiça de Deus, e esta justiça é aplicada ao homem à partir do momento em que ele crê. Paulo escreve bem o processo no capítulo 10 de Romanos, quando diz nos versos 4 a 17: “Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê. Porque Moisés escreve que o homem que pratica a justiça que vem da lei viverá por ela. Mas a justiça que vem da fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo;) ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a fazer subir a Cristo dentre os mortos). Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Ninguém que nele crê será confundido. Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? assim como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam coisas boas! 16 Mas nem todos deram ouvidos ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem deu crédito à nossa mensagem? 17 Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo”.
Essa é a maneira como aprouve a Deus salvar: pela loucura da pregação (I Cor. 1.21). A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus. O Espírito entra em todo esse processo de testificar do pecado, da justiça e do juízo de Deus. A graça supre de tudo. A única coisa que a graça não pode fazer não é nem decidir, mas receber. Todos quantos o receberam, aos que creem no seu Nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus. A responsabilidade do homem é claramente mostrada no evangelho, porque o evangelho é uma boa notícia que tem que ser ouvida e recebida e depois obedecida.
Mas nunca podemos excluir a soberania de Deus. O propósito aqui é mostrar que Deus sempre é soberano. Nada passa desapercebido por Ele, e nada acontece no homem sem o Seu poder. A salvação é universal. Vemos que Deus quer que todos os homens sejam salvos. Ele não tem prazer na morte do ímpio, mas que se converta e seja curado, mas sabemos também que o Senhor tem autoridade tanto para condenar quem rejeita o Filho, como forçar alguém a entrar. Mas Deus nunca é injusto, e nem faz acepção de pessoas. Para os Senhor os dois bandidos que estavam com Ele na cruz falou igualmente, e poderia dizer a ambos o que disse ao ladrão da sua direita.
É difícil para nós associarmos a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Mas é difícil também entender a trindade, bem como o amor de Deus e o juízo. Deus é soberano e acredito que em muitas situações Ele age porque a sua misericórdia não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus usar. Mas misericórdia só cabe em miseráveis, e nem todos se acham miseráveis. Muitos como aquele fariseu se considera justo, mas há também os que como aquele miserável clamam pela misericórdia de Deus.
Na grande maioria das vezes a pergunta é sempre esta: – Se o Senhor tem poder de salvar, por que não salva a todos? Primeiramente se Deus salvasse a todos pelo seu poder, o que seria da Sua Justiça, da Sua Ira, da Sua Palavra, da Sua Santidade, da Sua Imutabilidade, da Sua Fidelidade e dos outros atributos? Por outro lado se o Senhor escolhe para salvar alguns e desprezar outros Ele não poderia se chamar o Deus santo, justo e verdadeiro. Mas também falar que Ele não pode usar da sua misericórdia quando quer estaríamos anulando a Sua Soberania, e fazer o que quer da sua bondade. Ele disse aos trabalhadores: “Porque eu sou bom os seus olhos são maus?
Pedro nos ajuda na sua primeira carta a entender um pouco dessa sua soberania quanto a salvação do homem, quando cita a sua presciência: “… eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, 5 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé” I Ped. 1.2-3.
Notemos a eleição que é segunda a presciência de Deus, na santificação do Espírito para a obediência. Quem são os que serão condenados por Deus? Vemos isto em II Tessalonicneses, no capítulo 1, nos versos 7 e 8 que diz: “…quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus”. Veja que a vingança virá sobre os que não conhecem a Deus e dos que não o obedecem. Por que? Porque os que creem obedecem, e os que n~~ao creem não obedecem, ou não recebem o testemunho que de seu Filho deu.
“Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez; porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” I João 5.10. E João ainda fala de mais esse motivo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.” João 3.16-19.
Deus amou, deu testemunho desse amor quando seu Filho veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz. Julgar a forma como alguém recebe o evangelho não temos como aquilatar. Porque alguns o rejeitam de todo o coração, mas um coração contrito e humilde Ele não rejeita, e isso só Deus que esquadrinha a mente e prova o coração pode ver.
Sempre Deus deu a oportunidade ao homem, mas muitos tem desprezado. Primeiro foi no Jardim do Éden quando o deixou livre para tomar da árvore da vida. Depois quando separou a nação de Israel para ser seu próprio povo. Por último, com o anuncio da Sua Graça em Cristo Jesus, mas todos desprezaram e deram de ombro rebelde à Sua Palavra: “Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem” Zacarias 7.11.
Desde Adão até o último dia em que Deus dispensará a Sua Graça, o convite de Deus pelo evangelho será para que todos venham para as bodas do Seu Filho, porque tudo já está pronto (Lucas 14.15-24). Deus preparou tudo, convidou e também deu as vestes núpcias, mas todos foram rebeldes, incrédulos e não poderão jamais fazer qualquer tipo de censura a Ele: “Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes” Isaías 30.15. “E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” Hebreus 3.18-19.
Do lado humano, os homens continuam rebeldes ao seu chamamento, incrédulos à Sua Palavra, e desprezando o seu amor e a Sua Graça. Sobre isto, o que podemos dizer? A dureza do coração do homem anulará o seu plano eterno? De maneira nenhuma: “Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado. E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura será Deus injusto, trazendo ira sobre nós? (Falo como homem.) De maneira nenhuma; de outro modo, como julgará Deus o mundo?” Romanos 3.3-6.
A seguir veremos o lado divino da sua obra eterna e soberana. Com toda a certeza podemos afirmar: Ninguém poderá se levantar perante Ele para censurá-lo, acusá-lo, ou condená-lo. Também ninguém receberá nada de Deus por retribuição. O homem será derrubado só ao vê-lo, quanto mais quando as suas más obras forem julgadas pela Sua Palavra!: “Eis que é vã a esperança de apanhá-lo; pois não será o homem derrubado só ao vê-lo? Ninguém há tão atrevido, que a despertá-lo se atreva; quem, pois, é aquele que ousa erguer-se diante de mim? Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu” Jó 41.10-11. Continua…